São Paulo, 1º de maio de 2026 – O trio de rap irlandês KNEECAP colocou nas plataformas nesta sexta-feira (1) o disco “FENIAN”, trabalho que transforma em música a sequência de processos judiciais, tentativas de censura e disputas políticas enfrentadas pelo grupo desde 2024.
Formado em Belfast por Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí, o KNEECAP escolheu o produtor britânico Dan Carey para conduzir o projeto. A parceria resultou em faixas que mesclam hip-hop, punk e música eletrônica, sustentadas por letras bilíngues (inglês e irlandês) de forte teor político.
Faixas destacadas
O álbum se abre com “Éire go Deo”, introdução em clima quase ritualístico que antecipa a temática de identidade cultural presente ao longo do trabalho. Na sequência, “Smugglers & Scholars” adota batidas industriais enquanto revisita a história dos Fenians, movimento nacionalista irlandês do século XIX.
“Carnival” ironiza o julgamento de Mo Chara e critica o governo britânico, enquanto “Palestine”, com participação do rapper Fawzi, estabelece um diálogo entre as lutas irlandesa e palestina. Para as pistas, o grupo aposta na energia rave-punk de “Liars Tale” e da faixa-título, que dispara versos contra o líder trabalhista britânico Keir Starmer.
O lado mais pessoal aparece em “Cocaine Hill” e no encerramento “Irish Goodbye”, que conta com a britânica Kae Tempest e aborda temas de luto e despedida.
Contexto político
Desde o lançamento de “Fine Art” em 2024, o KNEECAP esteve envolvido em disputas legais sobre o uso de símbolos considerados proibidos no Reino Unido e enfrentou pedidos de banimento que chegaram ao gabinete do primeiro-ministro. “FENIAN” surge como resposta direta a essas pressões, convertendo a tentativa de silenciamento em um registro de resistência cultural.
Com 11 faixas e pouco mais de 40 minutos, “FENIAN” consolida o grupo como uma das vozes mais contundentes da cena alternativa europeia.
