O rapper paulistano Kamau apresentou em 8 de abril de 2026 o EP “4F”, resultado de uma temporada no apartamento de mesmo número localizado em Bed-Stuy, no Brooklyn, Nova Iorque. Aos 50 anos, o artista dividiu o espaço com os produtores Zander Zel e Late 4 Dinner, ponto de partida para composições que refletem a rotina vivida no imóvel.
Origem do título
Segundo Kamau, a sigla “4F” remete à localização do apartamento – frente e fundos – e abriu caminho para diferentes leituras: “forefront”, “4 family”, “4 foreigner” e “4 friends”. A ideia surgiu já no segundo dia da viagem, quando o rapper decidiu transformar o cotidiano do local em conceito musical.
Processo criativo
O EP foi construído a partir de beats fornecidos pelos anfitriões, inclusive bases eletrônicas de Zander Zel, que desafiaram o flow tradicional do MC. “Abro mão um pouco para adaptar aquela peça ao que eu faço”, explicou. Um dos refrães nasceu após Kamau ouvir o humorista Whindersson Nunes no podcast Mano a Mano, onde a frase “o mundo gira e a gente nem percebe” chamou sua atenção.
Foco na continuidade
Autor de álbuns marcantes como Non Ducor Duco (2008), Kamau afirma que evita ficar preso ao passado. “Trabalho com checkpoints, não com linha de chegada. Se precisar voltar, volto desse ponto, não do começo”, disse, destacando a importância de se manter em movimento artístico.
Próximos passos
Paralelamente ao EP, o rapper segue trabalhando no aguardado álbum Mosaico. O projeto, iniciado em 2018, está sendo lapidado diariamente no estúdio Ateliê, em São Paulo, e incorpora aprendizados de cada novo lançamento, como “4F”.
Com a estreia do EP, Kamau reforça uma trajetória guiada pela independência e pela constante busca criativa, mantendo diálogo com diferentes gerações do rap nacional.
