A juíza Simone Gastesi Chevrand manteve a exigência de relatório de auditoria para liberar o novo financiamento DIP. O clube recorreu, mas há pontos contábeis pendentes a esclarecer.
A Justiça do Rio de Janeiro manteve, nesta sexta-feira, a decisão que impede, por enquanto, a liberação do empréstimo de R$ 150 milhões solicitado pelo Vasco. A juíza Simone Gastesi Chevrand entendeu que ainda é necessário um relatório de auditoria antes de autorizar o novo financiamento DIP.
O clube havia apresentado recurso contra a determinação que condicionou a análise do empréstimo à apresentação desse relatório. Mesmo assim, a magistrada manteve a exigência, apontando a existência de pontos contábeis que precisam ser esclarecidos antes da autorização de um novo endividamento.
Na decisão, um dos principais pontos levantados é a diferença entre as projeções financeiras apresentadas anteriormente pelo Vasco e os números usados agora para justificar a necessidade do novo aporte. A juíza questionou também a previsão de aproximadamente R$ 70 milhões em investimentos em agosto e outros R$ 18,4 milhões em setembro, além de apontar que 84% da dívida emergencial apresentada para justificar o novo financiamento estaria relacionada a investimentos.
Outro ponto destacado é a origem dos recursos já obtidos e dos pretendidos: ambos viriam do mesmo grupo empresarial que apresentou proposta vinculante para adquirir participação na SAF do clube. A decisão observa que, somando empréstimos de R$ 80 milhões, R$ 40 milhões e os R$ 150 milhões agora solicitados, o Vasco poderia acumular uma dívida de R$ 270 milhões com o potencial comprador, o que poderia prejudicar a concorrência no processo competitivo de venda da SAF.
A juíza também ressaltou a necessidade de esclarecer por que a Administração Judicial, o watchdog e o gatekeeper não haviam se manifestado sobre pontos considerados sensíveis. Os três foram intimados a apresentar esclarecimentos no prazo de 48 horas.
Com a manutenção da decisão, o Vasco segue sem a liberação dos R$ 150 milhões neste momento. O montante é considerado importante pela diretoria para reforçar o caixa do clube e financiar compromissos previstos, inclusive investimentos no futebol durante a janela de transferências.
Além disso, o tema gerou repercussão fora da esfera judicial: em debate de podcast, foi usada a expressão
“Desgastante e previsível”
e Flamengo e Fluminense manifestaram posição sobre o acordo do Vasco com o Maracanã, apontando que seria inválido.
“Concessionária não assinou”
A decisão judicial manteve, portanto, a trava que impede por ora a liberação do novo empréstimo, enquanto os esclarecimentos solicitados não forem apresentados e analisados.

