Um paciente de 20 anos voltou a movimentar os pés poucos dias depois de receber uma aplicação de polilaminina, proteína sintética em fase de pesquisa que busca regenerar conexões nervosas na medula espinhal. O procedimento foi realizado no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, no Sul de Santa Catarina, no início de abril.
Acidente e diagnóstico
Cauan de Lima sofreu um acidente de motocicleta na véspera de Natal de 2025, em Três Barras. Encontrado consciente, porém desorientado, o jovem teve a coluna cervical estabilizada e foi levado ao hospital com suspeita de fratura no joelho direito e sinais de lesão na coluna. Exames confirmaram lesão medular completa, que resultou em perda total de movimentos e sensibilidade da cintura para baixo.
Busca por alternativas
Após uma cirurgia de estabilização no Hospital São Vicente, em Mafra, a família iniciou a procura por terapias que pudessem auxiliar na recuperação. A fisioterapeuta Veridiane Nayzer manteve contato com pesquisadores que estudam a polilaminina, criada pela doutora Tatiana Coelho Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Embora o protocolo inicial previsse uso em pacientes com até 72 horas de lesão, a equipe obteve autorização para aplicar a substância em Cauan.
Primeiras respostas
Alguns dias após a aplicação, os fisioterapeutas observaram os primeiros movimentos nos pés do paciente. “É de arrepiar”, relatou Veridiane ao recordar o momento em que percebeu a resposta às manobras de reabilitação. Cauan segue em fisioterapia intensiva para monitorar a evolução dos sinais motores.
Outros atendimentos
Desde março, o Hospital Dom Joaquim realizou quatro aplicações de polilaminina. No mesmo dia em que Cauan foi tratado, outro motociclista, Kauan Lori Toledo de Aguiar, 24 anos, morador de Imbituba, também recebeu a proteína. Os casos são acompanhados de forma independente pelas equipes médicas.
O que é a polilaminina
A polilaminina é obtida em laboratório a partir da proteína laminina, naturalmente presente no organismo humano. Aplicada diretamente na medula espinhal, a substância tem como objetivos:
- estimular a regeneração de conexões nervosas;
- auxiliar na recuperação de funções motoras;
- atuar em áreas afetadas por lesões medulares.
O uso ainda é experimental e depende de autorizações específicas, não integrando os protocolos convencionais para lesões na coluna.
Cauan permanece em acompanhamento no hospital e por equipe de fisioterapia, que avalia a continuidade das melhoras motoras nas próximas semanas.
