Em turnê pelo Rio, Jão usou suas canções e vivência para provocar debate sobre visibilidade LGBTQIA+. Ao Sem Censura, disse que levar histórias de amor entre homens aos palcos é um gesto político.
O cantor Jão usou a própria música e vivência para provocar uma reflexão sobre representatividade durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, quando se apresentou com a Turnê Memórias Póstumas. Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, ele abordou o significado político de levar histórias de amor homoafetivas aos palcos e explicou por que isso importa para ele e para o público.
A discussão sobre representatividade começou com uma pergunta feita ao cantor sobre o gesto político de contar uma história de amor entre dois homens para uma multidão. A pergunta foi formulada da seguinte forma:
“Quando você conta uma história de amor entre dois homens para uma multidão, que gesto político isso representa?”
Em resposta, Jão afirmou que já havia representatividade em sua própria existência e na composição da equipe que o acompanha. Ele destacou que o ato de se apresentar com essas histórias carregava um caráter político intrínseco, tanto pela voz quanto pelas pessoas envolvidas no processo.
“É político por si só. Só de abrir a boca. E pelas pessoas que estão ali em cima. Grande parte da minha equipe é LGBT. É uma bolha grande, mas é uma bolha.”
O cantor também ressaltou que procura tratar o tema abertamente porque ainda existem muitas questões que precisam ser discutidas. Segundo ele, é importante não deixar que a sensação de que tudo está bem oculte os absurdos e as desigualdades que persistem na sociedade. Esse posicionamento parte de uma experiência pessoal: na adolescência, Jão sentiu falta de referências claras que mostrassem relações LGBTQIAPN+ vividas com naturalidade.
Ao lembrar desse período, ele disse que buscou ver alguém que representasse sua própria experiência e que trouxesse a ideia de que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo poderiam ser retratados de forma natural. Esse vazio de referências motivou a ocupação consciente desse espaço artístico, com a intenção de oferecer aos fãs e ao público modelos que ele mesmo não teve quando jovem.
“Para mim, hoje é muito natural. Ninguém pensa muito nisso no show: ‘Nossa, são dois homens’. É, somos.”
As falas de Jão enfatizaram a intenção de transformar sua experiência pessoal em um caminho de visibilidade para outras pessoas, usando a música como veículo para normalizar narrativas afetivas diversas no cenário dos shows e da cultura pop.
