Fontes iranianas e iraquianas dizem que o primeiro-ministro iraquiano levou a oferta americana a Teerã. Teerã descartou um acordo temporário que não garantisse controle do Estreito de Ormuz.
O Irã rejeitou, na quinta-feira (23), uma proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos, conforme relatado por um jornal. A proposta foi trazida a Teerã pelo primeiro-ministro do Iraque e as informações foram compartilhadas por autoridades iranianas e iraquianas que preferiram não se identificar.
Embora os detalhes da proposta não tenham sido revelados, fontes iranianas indicaram que Teerã não estava interessada em um acordo temporário que não resolvesse a questão do controle do Estreito de Ormuz. Essa região é crucial para o transporte marítimo global e tem sido foco de tensões recentes.
A rejeição da proposta acontece em meio a um aumento de ataques entre Estados Unidos e Irã, que se intensificaram nas últimas duas semanas. O Irã continuou a atacar embarcações no Estreito de Ormuz, mesmo com um bloqueio naval imposto pelos EUA, e realizou ataques direcionados a alvos americanos no Oriente Médio. Em resposta, os Estados Unidos têm bombardeado instalações militares e outras infraestruturas no Irã.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, visitou Teerã após uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana anterior. Antes da visita, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o primeiro-ministro poderia transmitir mensagens de Trump, mas enfatizou que Teerã não estava buscando uma nova mediação com os Estados Unidos.
“O principal obstáculo é a abordagem irracional, excessiva e hegemônica dos Estados Unidos”, disse Araghchi à emissora estatal IRIB.
No mesmo dia, Trump fez comentários duros, afirmando que o Irã “não está pronto” para um acordo e que seus líderes “têm algumas intenções malignas”. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) também anunciou que as forças armadas americanas estavam intensificando os ataques contra o Irã, destacando que esta era a 13ª noite consecutiva de ações militares visando responsabilizar o Irã e reduzir as ameaças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Na madrugada de sexta-feira (24), a mídia estatal iraniana informou que pelo menos quatro pessoas morreram devido aos ataques dos EUA em várias áreas do Irã. Em meio a essa crescente tensão, Araghchi enfatizou que a ideia de confiscar ativos de outros países para pagar reivindicações futuras estabeleceria um precedente perigoso.
“Aqueles que comemoram ou lucram com esses recursos devem se lembrar: quando governos começam a normalizar o confisco de ativos, o patrimônio de ninguém estará seguro”, afirmou Araghchi em uma publicação.
As tensões entre Irã e Estados Unidos continuam a se agravar, refletindo a complexidade das relações internacionais na região.
