O Instituto Britânico de Cinema (BFI) divulgou uma lista cronológica com dez produções brasileiras que, segundo a instituição, ajudam a compreender a trajetória e a originalidade do terror nacional desde a década de 1960.
À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964)
Dirigido por José Mojica Marins, o longa apresenta o sádico Zé do Caixão em uma jornada de violência extrema enquanto tenta provar a inexistência de Deus. A obra quebra a quarta parede desde o início e termina em clima ambíguo, entre punição sobrenatural e culpa pessoal.
Proeza de Satanás na Vila de Leva-e-Traz (1967)
No filme de Paulo Gil Soares, moradores de uma vila abandonada após a chegada da exploração de petróleo recebem visitas do Diabo em diferentes formas, que promete progresso ilusório. Elementos folclóricos e religiosos se misturam para discutir modernização e perda de valores.
O Anjo da Noite (1974)
Com direção de Walter Hugo Khouri, a trama segue uma estudante contratada para cuidar de crianças em uma casa isolada. Telefonemas inquietantes, tensão psicológica e possíveis manifestações sobrenaturais compõem o ambiente de crescente inquietação social.
Belinda dos Orixás na Praia dos Desejos (1976)
Assinado por Antonio Bonacin Thome, o filme mostra uma jovem envolvida em romance que resulta em sequestro e abuso. Um orixá surge como elemento sobrenatural, deslocando a narrativa de vingança para o campo espiritual.
Shock: Diversão Diabólica (1983)
Dirigido por Jair Correia, o slasher acompanha vítimas perseguidas por um assassino após um evento musical. A produção questiona convenções do gênero ao inserir a violência em um contexto de relações abusivas e machismo.
Ritual Macabro (1991)
No longa de Fauzi Mansur, um ritual egípcio apresentado como espetáculo transforma um ator em assassino. Exagero, personagens caricatos e violência explícita marcam a mistura entre referências antigas e componentes modernos.
Mangue Negro (2008)
Comandado por Rodrigo Aragão, o filme apresenta um morador de área degradada pela poluição que enfrenta criaturas emergentes do pântano. O terror ecológico encontra o horror visceral em narrativa de transformação e resistência.
As Boas Maneiras (2017)
Dirigido por Marco Dutra e Juliana Rojas, o enredo parte da relação entre duas mulheres de origens distintas e de uma gravidez incomum. Anos depois, o foco recai sobre a criação de uma criança com instintos animalescos, usando o mito do lobisomem para abordar classe, raça e convivência.
Skull – A Máscara de Anhangá (2020)
No filme de Armando Fonseca e Kapel Furman, assassinatos rituais estão ligados a uma máscara ancestral que converte seu portador em entidade violenta. Conflitos contemporâneos de religião, exploração cultural e poder compõem o enredo.
Propriedade (2022)
Sob direção de Daniel Bandeira, uma mulher traumatizada acompanha o marido a uma fazenda onde trabalhadores ameaçados de perder tudo entram em confronto. Sem recorrer ao sobrenatural, o filme constrói tensão a partir de violência e exploração social.
Segundo o BFI, a seleção evidencia como o terror brasileiro dialoga com questões culturais, sociais e políticas ao longo de quase seis décadas, revelando a versatilidade do gênero no país.
