Um protocolo experimental que aplica o imunoterápico pembrolizumabe antes da cirurgia intestinal manteve 59% dos pacientes sem sinais de câncer de intestino durante 33 meses, eliminando a necessidade de quimioterapia pós-operatória. Os dados são do ensaio clínico NEOPRISM-CRC, conduzido pela University College London (UCL) em parceria com o UCL Hospital, em Londres.
Como foi o estudo
A pesquisa envolveu 32 pessoas com câncer de intestino em estágio 2 ou 3 e perfil genético de deficiência de reparo de DNA (MMR/MSI-alto), característica presente em cerca de 10% a 15% dos casos. Cada participante recebeu até nove semanas de pembrolizumabe antes da cirurgia, substituindo o esquema tradicional de operação seguida por três a seis meses de quimioterapia.
O acompanhamento durou quase três anos. Nesse período, nenhum dos pacientes que responderam à imunoterapia apresentou recidiva do tumor. Em tratamentos convencionais, cerca de 25% dos pacientes voltam a desenvolver a doença no mesmo intervalo.
Resultados considerados “extremamente encorajadores”
“Ver que nenhum paciente apresentou recorrência após quase três anos reforça nossa confiança de que o pembrolizumabe é seguro e altamente eficaz”, afirmou o oncologista Dr. Kai-Keen Shiu, pesquisador principal do estudo no UCL Cancer Institute.
Para medir a eficácia em tempo real, a equipe criou exames de sangue personalizados capazes de detectar DNA tumoral circulante. Segundo o doutorando Yanrong Jiang, quando o material genético do tumor desapareceu do sangue, as chances de cura a longo prazo aumentaram significativamente.
Relato de paciente
Aos 73 anos, Christopher Burston voltou às atividades diárias após o tratamento e continua em acompanhamento regular. “Sinto-me praticamente normal. Meu principal problema hoje é a idade, não o câncer”, relatou.
Panorama da doença
O câncer de intestino é o quarto tumor mais comum no Reino Unido, com cerca de 44 mil novos casos anuais. Nos Estados Unidos, é o terceiro mais diagnosticado e a segunda principal causa de morte por câncer. Entre adultos com menos de 50 anos, já ocupa o primeiro lugar em mortalidade oncológica.
Quando detectado precocemente, nove em cada dez pacientes com tumor em estágio 1 sobrevivem por pelo menos cinco anos. A taxa cai para 65% no estágio 3 e para 10% no estágio 4, reforçando a importância de estratégias que aumentem o controle a longo prazo.
Os resultados completos do NEOPRISM-CRC serão apresentados na Reunião Anual da American Association for Cancer Research (AACR) ainda este mês.
Fonte: Só Notícia Boa
