O ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, comentou nesta segunda-feira (27) sobre as declarações do presidente argentino Javier Milei, considerando-as “deselegantes” e questionando a cordialidade entre os dois países. Apesar do ocorrido, Haddad enfatizou a importância de “virar a página” para preservar a “relação próspera” entre Brasil e Argentina.
“Eu penso que nós temos que virar a página. Porque esse tipo de deselegância, de um presidente vir ao Brasil para ofender a autoridade, não coaduna com séculos de tradição, de amizade entre os dois povos”, afirmou Haddad.
O ex-ministro destacou que não existem problemas entre Brasil e Argentina, mas sim assuntos comuns nas áreas cultural, econômica e social. Ele reafirmou a necessidade de restabelecer a cordialidade que, segundo ele, foi colocada em xeque pelas falas de Milei. “Vamos superar isso. Isso não vai nos impedir de continuar prosperando as relações bilaterais com a Argentina”, concluiu.
As declarações de Haddad foram uma resposta direta à postura de Milei, que, durante uma convenção do PL no último sábado (26), chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário” e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, de “lixo careca”. Após esse episódio, o Itamaraty expressou insatisfação e convocou os embaixadores dos dois países para dar esclarecimentos.
Além disso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também manifestou indignação e classificou Milei como “palhaço”. Diante do conflito diplomático, Haddad ressaltou que o “Brasil tem o direito de manifestar contrariedade diante de um comportamento impróprio”, visando “dignificar o povo brasileiro”. No entanto, ele minimizou os impactos do episódio, destacando que o Mercosul tem avançado em acordos com outros blocos econômicos.
“Isso não vai nos impedir de continuar prosperando as relações bilaterais com a Argentina. E nós temos o Mercosul, que está em um excelente momento. O Mercosul fez um acordo histórico com a União Europeia, fez com Singapura e talvez agora faça com a China”, finalizou Haddad.
