Desde 2021, com o projeto Uma Só Globo, a emissora revisou contratos e unificou operações. O modelo de vínculos longos foi substituído e o elenco fixo caiu de cerca de 1.500 para aproximadamente 70 profissionais.
A Globo passou por uma grande transformação em sua área de dramaturgia. Nos anos 1990, durante o auge das novelas e do entretenimento produzido pela emissora, o canal mantinha cerca de 1.500 talentos sob contrato. No entanto, atualmente, esse número foi reduzido para aproximadamente 70 artistas com vínculo de exclusividade.
Essa mudança começou a ganhar força em 2021, com a implementação do projeto Uma Só Globo, que unificou as operações da empresa e promoveu uma revisão significativa dos contratos fixos. O modelo que predominou por décadas, em que os atores permaneciam anos vinculados à emissora, mesmo sem trabalhos em andamento, foi substituído pelo contrato por obra.
Com essa nova abordagem, a maioria dos artistas é contratada apenas para o período de gravação de uma novela, série ou programa. Assim que o projeto termina, o vínculo se encerra, permitindo que os profissionais busquem oportunidades em outras plataformas e produtoras.
Esse novo formato explica a frequência com que um pequeno grupo de atores aparece na programação da emissora. Com a diminuição drástica do número de contratos exclusivos, artistas como Chay Suede, Cauã Reymond e Agatha Moreira têm conseguido emendar um trabalho no outro. Contudo, por estarem ligados a contratos de longo prazo, esses profissionais também enfrentam menos liberdade para recusar projetos quando são convocados.
No passado, a situação era bem diferente. A Globo contava com um elenco permanente que incluía grandes nomes, como Antônio Fagundes, Glória Pires, Tony Ramos, Adriana Esteves e Susana Vieira. Era comum que os atores recebessem um salário fixo por anos, independentemente de estarem ou não no ar.
Hoje, esse tipo de privilégio está restrito a um grupo muito seleto. Entre os artistas que ainda possuem acordos de longo prazo, alguns considerados quase vitalícios, estão Tony Ramos, Susana Vieira, Suely Franco e Ary Fontoura. Esses nomes representam uma política de retenção que praticamente deixou de existir.
A nova estratégia permitiu à Globo reduzir custos e tornar suas operações mais flexíveis, alinhando-se a uma tendência observada no mercado audiovisual. No entanto, o antigo banco de elenco, que foi um dos principais marcos da emissora ao longo das décadas, agora se tornou uma exceção, com um modelo de contratos fixos dando lugar a uma estrutura mais enxuta e baseada na demanda de cada produção.
