Itabaiana · quinta-feira · 15 de outubro de 2026
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Economistas afirmam que a política fiscal expansionista contraria o aperto do BC e pressiona a dívida pública. Em cenário de juros altos, a manutenção dos gastos obriga o BC a manter política monetária contracionista.

Uma análise feita por economistas revela que a política fiscal expansionista do Brasil está em desacordo com os esforços do Banco Central para conter a economia. Essa situação tem pressionado o nível da dívida pública, conforme exposto por especialistas. Em um cenário global de juros elevados, a continuidade dos gastos públicos contribui para que o Banco Central mantenha uma política monetária contracionista.

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Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e atual presidente do conselho de administração da Jive Mauá, destaca que os juros altos são resultado de um problema que não é estrutural. Ele afirma:

“Nós praticamos uma política fiscal que vai sempre na contramão do Banco Central. Para a inflação acalmar, ele precisa reduzir um pouco a atividade, moderar um pouco o crescimento. Mas, do outro lado, o governo acelera muito, expande muito o gasto.”

Nos últimos doze meses até junho, o custo com os juros alcançou R$ 1,16 trilhão, representando 8,8% do PIB (Produto Interno Bruto), um aumento em relação a R$ 912,3 bilhões (7,41% do PIB) do mesmo período do ano anterior. Atualmente, a taxa básica de juros do país está fixada em 14,25% ao ano. Com incertezas à vista, a expectativa é de que a Selic caia lentamente, podendo permanecer em dois dígitos até 2028, segundo a pesquisa Focus.

Carlos Kawall, sócio proprietário da Oriz Partners e ex-secretário do Tesouro Nacional, avalia que o nível atual da taxa de juros não é tão alarmante quanto em crises anteriores, mas ressalta que

“o patamar da dívida é muito mais alto.”

Ele acrescenta que

“o tempo com que a gente pode conviver com esse juro real elevadíssimo não é tão dilatado. A velocidade de crescimento da dívida e das taxas de juros vem sufocando o setor privado, contratando uma recessão, uma crise, que quando acontecer vai piorar o problema fiscal, porque a arrecadação cai.”

A Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui o governo federal, o INSS e as administrações estaduais e municipais, subiu para 81,9% do PIB em junho, atingindo R$ 10,4 trilhões. Se a tendência continuar, as projeções indicam que a dívida pode ultrapassar 100% do PIB entre 2032 e 2035, segundo um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados.

O país enfrenta o que se denomina “fadiga fiscal”, caracterizada pela perda de capacidade de estabilizar o crescimento da dívida com a geração de superávits primários. Isso ocorre em função de limites para o aumento da tributação e cortes nos gastos. O consultor Paulo Bijos, que conduziu a pesquisa, afirma que

“o Brasil, ao que parece, já opera em uma região de resistência para novos aumentos de carga tributária, e o gasto público tenderá a ser constantemente pressionado, nos anos futuros, em decorrência da transição demográfica em curso no país.”

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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