Itabaiana · sábado · 10 de outubro de 2026
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Mesmo com a derrota de ídolos nas urnas, o esporte manteve força como identidade política. Candidatos usaram apelidos, camisas e vínculos com clubes para converter memória afetiva em capital eleitoral.

Os resultados das eleições de 2026 evidenciaram uma contradição: ídolos do futebol foram derrotados nas urnas, mas o esporte manteve-se como ferramenta de identidade, mobilização e pressão política.

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A influência do futebol não se mede apenas pelo número de ex-atletas eleitos. Ela apareceu na estratégia de candidaturas que exploraram apelidos, camisas, símbolos e vínculos com clubes para se apresentar ao eleitorado, transformando memória afetiva em capital político.

Vários candidatos adotaram marcas construídas na carreira esportiva. Dinei apresentou-se destacando a ligação com a torcida do Corinthians. Washington manteve o apelido “Coração Valente”. Donizete seguiu sendo identificado como “Pantera”. Luís Fabiano explorou sua imagem de artilheiro e a história com o São Paulo. Edmundo permaneceu associado principalmente ao Vasco. Danrlei utilizou a relação histórica com o Grêmio.

Essa estratégia buscou dar ao candidato uma pré-apresentação: o eleitor já conhecia o nome e associava conquistas e emoções à trajetória esportiva. O limite dessa conversão surgiu quando a identidade esportiva não veio acompanhada de uma base política: vestir a mesma camisa não garantiu o mesmo voto. Marcelinho Carioca, muito reconhecido entre corintianos, recebeu 2.494 votos no Distrito Federal. Luís Fabiano teve 9.613 votos na disputa para deputado federal.

As instituições esportivas, em geral, evitaram apoio partidário oficial para não dividir torcedores ou comprometer relações institucionais. Isso, porém, não impediu que clubes e governo ficassem em lados opostos em questões que afetam receitas.

Clubes que recorreram ao STF

  • Flamengo
  • Botafogo
  • São Paulo
  • Ponte Preta
  • Vitória
  • Guarani
  • Portuguesa

Esses clubes pediram ao Supremo Tribunal Federal para participar de uma ação contra a medida que determinou o encerramento das operações das casas de apostas no Brasil. Alegaram que o fim abrupto dos contratos poderia provocar atrasos salariais, vendas emergenciais de jogadores e dificuldades para manter as equipes nas competições.

O dinheiro das apostas aproximou rivais em defesa de um mesmo interesse econômico. Dirigentes de clubes em São Paulo realizaram reuniões para avaliar as consequências da proibição e estudar medidas conjuntas. A estimativa discutida no setor apontou impacto de até R$ 1 bilhão por ano apenas em patrocínios diretos.

Na campanha, as apostas se transformaram em tema político. O governo defendeu a proibição como medida de proteção contra endividamento, dependência e problemas sociais. Os clubes sustentaram que os contratos haviam sido assinados dentro de um mercado que contava com regras públicas.

A visibilidade proporcionada por cargos esportivos também não garantiu sucesso em todos os casos. Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo, não conseguiu renovar o mandato de deputado federal. Marcos Braz, antigo vice de futebol do mesmo clube, também não foi eleito.

Eleitos ligados ao esporte

  • Danrlei — 105.079 votos (Rio Grande do Sul)
  • Luiz Lima — 37.711 votos (Rio de Janeiro)

Danrlei e Luiz Lima foram exceções entre os principais nomes do esporte que concorreram: ambos foram eleitos deputados federais. Os casos indicam que o esporte funciona melhor como origem de capital político do que como programa completo. A fama fornece um impulso inicial, mas a permanência na política depende da construção de uma trajetória própria, com atuação regional e em temas que vão além do futebol.

Onde o futebol entrou na eleição

  • Ex-atletas utilizaram apelidos e histórias construídas nos clubes
  • Dirigentes tentaram converter exposição administrativa em votos
  • Candidatos buscaram identificação com grandes torcidas
  • Clubes evitaram apoio partidário oficial para não dividir suas bases
Redação
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Redação

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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