Itabaiana · sábado · 10 de outubro de 2026
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A fumaça atingiu treinos na Vila Olímpica: horários mudaram e cargas foram reduzidas. A lançadora Maria Paula relatou dor de cabeça, mal-estar, alteração da pressão e tontura.

A fumaça que encobriu Manaus nos últimos dias também chegou aos treinos de alto rendimento na Vila Olímpica. Atletas precisaram mudar horários, reduzir atividades e redobrar cuidados por causa da qualidade do ar. Para alguns, a fumaça deixou de ser apenas um incômodo e passou a interferir diretamente no desempenho e na saúde durante os exercícios.

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No lançamento de dardo, a atleta Maria Paula sentiu efeitos claros durante um treinamento e relatou sintomas como dor de cabeça, mal-estar e alteração na pressão, que provocaram tontura e receio de algo mais grave.

Isso me afetou tanto que eu tive dor de cabeça e fiquei com receio de ter uma parada. Eu estava fazendo o treino e já me sentia mal por conta de inalar isso.

Maria Paula – Atleta de lançamento de dardo.

A fumaça também mudou a rotina do paratleta Brendow Christian, conhecido como “Demolidor”. Tricampeão brasileiro no lançamento de dardo da classe F12, destinada a atletas com baixa visão, ele deixou de treinar no período da tarde e passou a fazer as atividades à noite depois de começar a sentir inflamação na garganta e dificuldade para respirar.

Estou começando a ter uma inflamação na garganta. Acredito que muito proveniente da fumaça. Por conta desse ambiente, a gente fica inalando o ar e tem dificuldade para respirar.

Brendow Christian – Paratleta, tricampeão brasileiro na classe F12.

O problema ganha dimensão entre atletas de alto rendimento porque a intensidade dos exercícios aumenta a respiração: com mais ar entrando nos pulmões durante o treino, aumenta a exposição aos poluentes presentes na atmosfera. Um médico infectologista explicou que essa combinação pode provocar irritação nas vias respiratórias.

No treinamento, eles respiram muito mais. Eles inalam muito mais ar para dentro dos pulmões. A quantidade de ar inalada vai juntamente com os poluentes, e isso vai causar uma irritação.

Nelson Barbosa – Médico infectologista.

A situação ficou ainda mais evidente nesta quarta-feira (7), quando Manaus amanheceu novamente coberta de fumaça. Um incêndio no Distrito Industrial atingiu uma área de mais de 15 mil metros quadrados e o trabalho para controlar as chamas poderia durar entre 24 e 48 horas.

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram que, às 6h20, a qualidade do ar variava entre moderada e ruim na capital. Dos pontos monitorados, 11 registravam qualidade moderada e três apresentavam índices considerados ruins. Morro da Liberdade, Compensa e a região de Nossa Senhora das Graças estavam entre os locais com pior situação.

Na região de Nossa Senhora das Graças, a concentração de partículas chegou a 74,3 µg/m³. A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³.

Com a fumaça persistindo sobre a capital, a rotina de quem depende do corpo em alto rendimento precisou ser adaptada: horários foram alterados, atividades foram reduzidas e os cuidados foram redobrados para que os atletas continuem treinando diante das condições adversas.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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