Uma equipe formada por pesquisadores da África do Sul e da França revelou a primeira prova direta de que ancestrais de mamíferos se reproduziam por postura de ovos. O achado, detalhado em 13 de maio de 2026 na revista PLoS ONE, mostra um embrião de Lystrosaurus preservado dentro de um ovo com cerca de 250 milhões de anos.
Quem é o animal em questão
O Lystrosaurus era um sinapsídeo dicinodonte herbívoro, do tamanho aproximado de um porco, que sobreviveu à maior extinção em massa do planeta e dominou o início do período Triássico. Até hoje, não havia vestígios conclusivos de sua forma de reprodução.
Descoberta em campo e tecnologia decisiva
O fóssil foi localizado em 2008, durante expedição liderada pela professora Jennifer Botha, da Universidade de Witwatersrand. O técnico John Nyaphuli identificou um pequeno nódulo que revelava fragmentos de osso minúsculos. Somente agora, com tomografia computadorizada de raios X de sincrotron no ESRF, os cientistas Julien Benoit e Vincent Fernandez conseguiram confirmar que se tratava de um filhote ainda dentro do ovo.
Casca mole e preservação rara
As análises indicam que o ovo possuía casca mole, característica que dificulta a fossilização e explica a raridade de exemplares semelhantes. Diferente dos ovos rígidos e mineralizados de dinossauros, estruturas de casca mole quase nunca ficam preservadas.
Implicações para a biologia do Lystrosaurus
O ovo era relativamente grande em comparação ao corpo do animal, sugerindo grande quantidade de gema e desenvolvimento embrionário independente dos pais. A ausência de sinais de produção de leite reforça essa conclusão.
Tomografias revelaram que a sínfise mandibular do embrião ainda não estava fundida, sinal de que ele não conseguiria se alimentar sozinho ao eclodir. Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que os filhotes nasciam em estágio avançado, capazes de se mover, fugir de predadores e chegar rapidamente à idade reprodutiva.
Marco para a paleontologia
É a primeira vez que um fóssil é identificado de forma conclusiva como ovo de um terapsídeo, grupo que antecede os mamíferos modernos. O resultado ajuda a esclarecer a evolução das estratégias reprodutivas dos mamíferos e explica, em parte, o sucesso do Lystrosaurus após a extinção em massa do Permiano.
Com informações de Só Notícia Boa
