Jogadores e comissão viveram 23 horas de tensão: o jogo em Araraquara começou às 17h de sábado e só terminou às 16h de domingo. A paralisação ocorreu por problemas de segurança em Brusque; Ferroviária venceu por 2 a 0.
Jogadores e comissão técnica viveram um “jogo de dois dias” durante a sexta e última rodada do quadrangular da Série C. A partida entre Ferroviária e Inter de Limeira começou às 17h de sábado e só foi concluída às 16h de domingo, em Araraquara (SP). A paralisação ocorreu por causa da suspensão do duelo entre Brusque e Paysandu, em Brusque (SC), após problemas de segurança no setor da torcida visitante da Arena Simon.
De acordo com o regulamento, partidas cujos resultados dependem uma da outra devem ser realizadas ao mesmo tempo. A Ferroviária venceu por 2 a 0 e garantiu o acesso à Série B. A Inter de Limeira também conquistou o acesso, mesmo com a derrota, graças ao empate em 1 a 1 entre Brusque e Paysandu.
A festa na Fonte Luminosa reuniu torcedores e o elenco, e as sensações mudaram entre o intervalo do jogo no sábado e o apito final no domingo. A torcida presente no sábado foi de 8.400 pessoas; no domingo o público foi menor.
Seria muito injusto se a gente não subisse por tudo que aconteceu na competição. Mas sobre essa situação eu preciso dizer que é inadmissível o que aconteceu em Brusque. Vou até tomar cuidado com o que eu falo. Mas foi uma situação inadmissível. O mais importante é que os dois times mais merecedores do acesso conseguiram subir. Não consegui dormir nada (risos)
— Miguel Bianchoni, atacante da Inter.
Isso foi terrível, foi uma falta de respeito enorme com a gente, mas estávamos preparados para tudo e isso não ia tirar nosso foco do objetivo principal, nos mantivemos firmes e conquistamos.
— Juninho, meia-atacante da Ferroviária.
Foi atípico, mas a direção e a comissão trabalharam bem isso. A gente já vinha com esse trabalho mental do que queríamos há muito tempo. A comissão técnica, a diretoria, eles não deixaram a gente distrair, voltamos para o hotel, o pessoal da fisioterapia ficou até de madrugada, rouparia também. Foi um jogo que, para nós, não teve pausa. Mentalmente, o jogo começou ontem e terminou agora, é mérito de todo mundo que estava envolvido nesse trabalho, a gente acabou voltando melhor
— Ricardinho, volante.
Foi muito difícil, [o problema] aconteceu lá, não foi aqui com a gente. Para dormir foi diferente, tudo foi improvisado, mas o clube fez o melhor pra gente. (…) Foi complicado, foi metade de um jogo, queríamos resolver logo, mas acalmamos, nos unimos, conversamos no hotel, e conquistamos o acesso e a vaga na final.
— Dênis Júnior, goleiro da Ferroviária.
Além do transtorno com a interrupção, a Inter de Limeira precisou aguardar o fim de Brusque x Paysandu para confirmar a promoção, o que deixou jogadores e comissão à espera mesmo após o término da partida em Araraquara. O técnico da Inter resumiu a sensação vivida pela equipe.
Foi um turbilhão de emoções desde ontem (sábado). Só a gente sabe o quanto merecíamos. Existe um trabalho grande envolvido, o clube passa por um processo de transição e todos envolvidos no projeto são merecedores de tudo que está acontecendo
— Matheus Costa, técnico da Inter.
Foi muito ruim para todos nós, ontem era o dia da festa, o clima era aquele, o estádio cheio, e foi um banho de água fria para todo mundo. Porém, o mental dos jogadores foi fantástico, eles conseguiram manter a concentração o tempo todo. Foi difícil pra dormir, concentrar, porém, mantiveram o foco e o segundo tempo é prova disso, foram muito soberanos sobre o adversário, conseguiram fazer um jogo incrível e tiveram uma vitória por 2 a 0 que foi fantástico para o acesso
— Rogério Corrêa, treinador da Ferroviária.
As equipes tiveram de prolongar a concentração: jogadores passaram mais uma noite em hotéis, a comissão cuidou de logística, rouparia e fisioterapia para manter a preparação. No fim, a combinação de resultado e resistência mental definiu os dois times que subiram à Série B.
