Itabaiana · segunda-feira · 12 de outubro de 2026
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Em segundos, as redes sociais oferecem conteúdo médico verdadeiro e falso, frequentemente fora de contexto. Um clínico geral alerta que isso aumenta autodiagnósticos e decisões perigosas. Consulte profissionais e verifique fontes confiáveis.

Nunca tivemos tanto acesso à informação sobre saúde. Em poucos segundos, qualquer pessoa pode encontrar vídeos sobre colesterol, hormônios, alimentação, câncer, vitaminas, medicamentos e praticamente qualquer doença. No Dia Nacional da Saúde, nesta quarta-feira (5), um clínico geral alerta que o problema das redes sociais não é apenas a mentira, mas a informação médica verdadeira usada fora de contexto.

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Seria razoável imaginar que uma sociedade mais informada se tornaria necessariamente mais saudável. No entanto, a realidade é mais complexa. Cada vez mais, pacientes chegam não apenas com sintomas, mas com diagnósticos prontos, uma lista de exames que desejam fazer e, algumas vezes, até com o tratamento escolhido. O médico, então, passa parte da consulta explicando por que aquilo que pareceu tão convincente em um vídeo de 60 segundos não necessariamente se aplica àquela pessoa.

Esse cenário representa um dos grandes desafios atuais da medicina: a abundância de informação disponível e a dificuldade em separar conhecimento útil de ruído. O problema não se resume à disseminação de notícias falsas; é mais complicado lidar com informações verdadeiras que são transformadas em regras universais.

Um exemplo claro é a creatina. Esta substância é amplamente estudada, com benefícios bem estabelecidos em determinadas situações e um perfil de segurança conhecido quando utilizada adequadamente. Isso, no entanto, não significa que todos precisem tomar creatina. O mesmo raciocínio se aplica a vitaminas e suplementos. Uma deficiência de vitamina D deve ser corrigida, mas doses elevadas não são benéficas para qualquer pessoa. O ferro é essencial para quem apresenta deficiência, mas não deve ser usado indiscriminadamente.

Nas redes sociais, frequentemente desaparecem palavras que são fundamentais para a medicina, como “depende”, “em alguns pacientes” ou “quando indicado”. Recomendação de uso indiscriminado de substâncias como gotas de iodo para melhorar o metabolismo, por exemplo, levanta preocupações, já que o excesso de iodo pode provocar alterações na tireoide. Além disso, versões de sal supostamente mais saudáveis, como sal rosa ou marinho, são apresentadas como alternativas que podem ser consumidas com mais liberdade, ignorando que o principal componente continua a ser o cloreto de sódio.

Outro exemplo é a retirada indiscriminada do glúten por pessoas sem doença celíaca. Hormônios vendidos como soluções para rejuvenescimento e suplementos que prometem melhorar imunidade, memória ou longevidade também merecem atenção. O padrão é quase sempre o mesmo: uma pequena verdade científica é ampliada até se transformar em uma promessa que a ciência nunca fez.

As redes sociais também introduziram um componente novo: o algoritmo. Ao assistir a um vídeo que sugere que um sintoma pode ser causado pela falta de uma vitamina, o usuário provavelmente verá outros conteúdos semelhantes. Com o tempo, isso pode fazer parecer que a hipótese é uma certeza. A ciência, por sua vez, trabalha com dúvida, probabilidade e um processo contínuo de revisão do conhecimento, enquanto as redes sociais tendem a premiar certezas.

É fundamental que as pessoas continuem a pesquisar sobre saúde, pois um paciente bem informado participa melhor das decisões sobre seu tratamento. Entretanto, é necessário recuperar a capacidade de avaliar a informação. Questões como quem está fazendo a afirmação, se há evidência científica, e se a recomendação serve para todos ou depende de um diagnóstico são cruciais.

No Dia Nacional da Saúde, essa reflexão se torna ainda mais pertinente. Durante décadas, a preocupação foi ampliar o acesso da população à informação médica. Agora, o desafio é ensinar a navegar por uma quantidade quase infinita de dados. A ciência raramente oferece respostas milagrosas ou universais, mas trabalha com evidências e individualidade. Informação é fundamental, mas sem contexto, pode se tornar desinformação.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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