Itabaiana · sábado · 07 de novembro de 2026
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Levantamento da UnB mostra que 83,6% das 360 regiões do Mapa do Turismo Brasileiro sofreram eventos climáticos extremos entre 2020 e 2025. Pesquisadores cruzaram dados oficiais e de emergências.

Das 360 regiões turísticas catalogadas pelo Mapa do Turismo Brasileiro, 301 foram afetadas por eventos climáticos extremos entre os anos de 2020 e 2025. Os números equivalem a 83,6% das regiões mapeadas pela ferramenta do Ministério do Turismo e constam de um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB).

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O estudo, intitulado Eventos climáticos extremos no turismo brasileiro: o confronto entre os impactos e as (re)ações, cruzou as informações do Mapa do Turismo Brasileiro com o Banco de Dados de Eventos de Emergência do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (CRED), abrangendo o período de 1990 a 2025. Os pesquisadores complementaram a pesquisa com a análise de 30 quase 100 atas de reuniões do Conselho Nacional de Turismo e mais 30 documentos complementares de políticas públicas no país sobre o tema.

Com base nesse conjunto de dados, os autores constataram que, nas últimas quatro décadas, a ocorrência de eventos climáticos extremos demonstrou uma tendência de crescimento, tendência que, segundo o estudo, não foi acompanhada por ações de prevenção e de adaptação no setor de turismo. Ao mesmo tempo, o fluxo turístico está em plena expansão, tendo alcançado 9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, número recorde e que cresce desde 2024, quando o setor voltou ao patamar da década anterior, com média de 6 milhões de visitantes vindos de outros países.

A pesquisadora Jaqueline Gil, uma das autoras do estudo, avaliou os dados como indicador de vulnerabilidade e ressaltou a necessidade de planejamento e adaptação no setor.

“Deixar de tratar esses eventos como algo excepcional e reconhecer esta nova realidade, planejar e agir para minimizar seus efeitos é o mínimo que precisamos fazer, e cada região exigirá um conjunto de ações adaptadas à sua realidade”

Para a vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Fernanda Dornelles, a pressão exercida pelas mudanças climáticas já é percebida por operadores de turismo. Ela afirmou que adaptações ocorrem conforme a capacidade de cada operador, mas que as respostas ainda são insuficientes.

“Não podemos depender de respostas isoladas e paliativas, e a resposta à nova realidade deve ser a articulação entre conhecimento, boas práticas e diálogo entre empresas, o poder público e as comunidades locais.”

Fernanda também destacou a necessidade de integrar gestão territorial, políticas de conservação e apoio às comunidades que preservam os ambientes visitados, ampliando a responsabilidade do setor sobre as cadeias produtivas beneficiadas pelo turismo.

“É uma agenda que depende de ciência, governança e participação do setor privado, na qual o turismo pode deixar de ser apenas um usuário da natureza para se tornar parte da estratégia de conservação e resiliência dos destinos”

O estudo aponta, portanto, uma combinação de crescimento da exposição turística e insuficiência de medidas estruturadas de prevenção e adaptação, reforçando a necessidade de políticas integradas e ações locais adaptadas às realidades de cada destino.

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