EUA anunciam tarifas que atingem cerca de 60 países, entre eles o Brasil. Trump afirma que medidas visam 'trabalho forçado', mas críticos dizem ser manobra para contornar decisão da Suprema Corte.
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, uma nova rodada de tarifas comerciais que impactará cerca de 60 países. O Brasil está entre as nações afetadas, assim como parceiros tradicionais dos americanos, como Japão, Coreia do Sul, Índia, Canadá, Reino Unido e a União Europeia.
O presidente Donald Trump argumenta que todos os países atingidos estão, de alguma forma, envolvidos com o que ele chama de “trabalho forçado”. No entanto, essa alegação é vista como uma estratégia para contornar uma decisão da Suprema Corte americana, que havia negado a Trump, em fevereiro, o uso de certos instrumentos legais para a imposição de tarifas.
As novas tarifas devem ter um impacto significativo, com o governo estimando que cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas. A expectativa é que, com essas medidas, Trump busque reindustrializar os Estados Unidos e obter receitas que ajudem a compensar cortes de impostos.
Além disso, essa estratégia visa rebalancear os termos de troca comerciais em favor dos Estados Unidos. Contudo, a medida pode resultar em consequências adversas para a economia americana, já que os consumidores poderão pagar mais caro pelos produtos. Também pode levar a um rearranjo nas alianças comerciais, com parceiros buscando evitar os Estados Unidos.
As implicações dessas tarifas vão além do aspecto econômico, atingindo também a geopolítica. A abordagem de Trump não se limita a ferramentas de força comercial ou militar, mas se baseia na imprevisibilidade e no desprezo por alguns princípios fundamentais que sustentam a força de uma grande potência, como a confiança em acordos e compromissos firmados.
