O psiquiatra Fábio Salzano e a nutricionista Andrea Vargas, do Ambulim (HC-FMUSP), explicam o que caracteriza um transtorno alimentar e detalham os quatro tipos reconhecidos pela medicina e seus impactos na saúde e nas relações.
O psiquiatra Fábio Salzano e a nutricionista Andrea Vargas, ambos do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da FMUSP, detalharam os quatro principais tipos de transtornos alimentares reconhecidos pela medicina e como cada um se manifesta.
Fábio Salzano explica que um transtorno alimentar se configura quando o comportamento ligado à alimentação passa a afetar a saúde física, a saúde mental e as relações sociais da pessoa. Os quadros abordados foram a anorexia nervosa, a bulimia nervosa, o transtorno de compulsão alimentar e o transtorno alimentar restritivo evitativo.
A anorexia nervosa é o transtorno com maior impacto em mortalidade, embora atinja cerca de 1% da população. Nesse quadro, o paciente busca emagrecer de forma contínua e não saudável, o que leva a um estado de desnutrição severa.
A bulimia nervosa, que atinge cerca de 1,5% da população, se caracteriza por episódios de alimentação excessiva, conhecidos como episódios bulímicos ou compulsivos. Diferentemente da anorexia, o foco não é apenas o emagrecimento, mas evitar o ganho de peso depois desses episódios. Isso leva o paciente a adotar comportamentos compensatórios, como restrição alimentar severa ou provocação de vômitos.
Salzano destaca que a distribuição de casos por sexo é desigual: cerca de 10% dos pacientes são homens e 90% são mulheres, tanto na anorexia quanto na bulimia.
O transtorno de compulsão alimentar (TCA) é o mais prevalente dos quatro, com incidência de aproximadamente 3% da população. Nele ocorrem episódios de ingestão excessiva de alimentos, mas sem o uso de medidas compensatórias — o que o diferencia da bulimia. Segundo Salzano, homens e mulheres são afetados em proporções semelhantes, uma característica distinta desse quadro.
O transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) é o mais recente a ser descrito nos manuais médicos e ainda não tem prevalência bem definida, sendo considerado mais raro. Nele, a preocupação não é com a imagem corporal, mas com uma dificuldade específica em relação a determinados alimentos.
Salzano exemplifica o perfil de um paciente com TARE: pode consumir sanduíches, mas evita frutas, verduras e feijão, por aversão ou medo relacionado à textura ou a outras características dos alimentos.
Se você ou alguém próximo apresenta esses sinais, procure orientação médica. O diagnóstico e o tratamento de transtornos alimentares devem ser conduzidos por profissionais de saúde.
