Uma empresa associada à família do senador e ex-líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), dividia endereço, telefone e e-mail com outras 19 pessoas jurídicas, conforme um relatório da Polícia Federal que faz parte das investigações sobre o Banco Master. Os documentos foram divulgados pelo ministro André Mendonça, do STF, no dia 30 de julho de 2026.
A BN Representações Tecnológicas, que tem como única sócia Bonnie Toaldo Bonilha, é esposa de Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia.
A empresa foi fundada em 2019 com o nome de Vamos Florir Comércio de Flores, atuando inicialmente na venda de plantas e eventos. Em janeiro de 2026, houve uma mudança em sua razão social, passando a atuar no setor de tecnologia e transferindo sua sede de Salvador para Igaporã, interior da Bahia.
No novo endereço, a Polícia Federal identificou 20 CNPJs registrados na mesma sala comercial. Desses, 19 utilizavam o mesmo telefone e e-mail da BN Representações, que, segundo a investigação, não tinha registro de funcionários formalmente contratados.
Dezessete das empresas no local compartilhavam ainda o mesmo contador, Kilson Moura Lomanto, que também era responsável contábil da BN Financeira, outra empresa ligada a Bonnie e sob investigação.
A BN Representações é uma dentre seis empresas que estão sendo analisadas pela PF devido a vínculos com Jaques Wagner e sua família. Na representação enviada ao STF, a PF alega que supostas vantagens destinadas ao senador e a seu núcleo familiar foram movimentadas por meio de uma rede de fundos, empresas e pessoas interpostas.
Os investigadores descrevem essa estrutura como um “mosaico de pessoas físicas e jurídicas” usado pelo grupo Master para lavagem de dinheiro e ocultação de pagamentos. A análise inclui a possível aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões para Wagner e os repasses feitos à BN Financeira.
A BN Financeira aparece nas cobranças feitas por Eduardo Sodré a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e nos pagamentos sob investigação pela PF. A empresa foi criada em 2021 com um capital social de R$ 45 mil, mas a PF considera que tratava-se de uma empresa recém-constituída, com capacidade operacional limitada e sem histórico que justificasse sua contratação por uma instituição do porte do Master.
A hipótese dos investigadores é que os contratos tenham sido elaborados para dar aparência de legalidade a transferências que não corresponderiam a serviços efetivamente prestados. Em outubro de 2025, a BN Financeira recebeu R$ 3,5 milhões da PKL One Participações, uma empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima.
