A Operação Janus, iniciada pelos promotores do Gaeco, trouxe à tona detalhes sobre a contadora Meire Bonfim da Silva Poza, conhecida como a doleira da Lava Jato. Ela recebia R$ 70 mil mensais para manter a estrutura contábil do braço financeiro do PCC.
Meire foi alvo de um mandado de prisão preventiva e já havia sido presa em abril de 2018, suspeita de envolvimento em um esquema de desvios da Previdência, desarticulado pela Operação Encilhamento, da Polícia Federal.
Na Operação Lava Jato, sob a condução do ex-juiz Sérgio Moro, Meire Poza foi investigada por suas relações com o doleiro Alberto Youssef, que, em 2014, firmou um acordo de delação premiada, revelando um esquema de corrupção na Petrobrás.
Recentemente, ela voltou a ser mencionada na Operação Bazaar, em que atuou como operadora de um ‘balcão de negócios’ dentro da Polícia Civil, utilizando Relatórios de Investigação Financeira (RIFs) do COAF para extorquir empresários e comerciantes com o pagamento de propinas.
Na nova fase da investigação, os promotores incluíram o nome de Meire na Operação Janus, destacando que ela utilizava seus conhecimentos contábeis para sustentar a ‘engrenagem financeira’ do PCC e estava envolvida com uma rede de doleiros a serviço da facção há pelo menos cinco anos.
Mensagens trocadas entre Meire e Cléber Azevedo dos Santos, associado ao PCC, foram recuperadas, evidenciando a relação deles. O Relatório de Inteligência 24/26 também mostra a conexão entre o grupo investigado e Alexandre Salles Brito, réu em um processo criminal relacionado ao PCC.
Os promotores ressaltam que Meire tinha plena ciência das atividades ilícitas dos operadores financeiros e sua atuação contábil reforçava a integração operacional entre os envolvidos. As investigações revelaram que Meire estabeleceu laços com o PCC, especialmente em mensagens que enviou a Cléber, relatando contatos com um policial civil sob suspeita de envolvimento com atividades ilícitas.
A Operação Janus também revelou que Meire atuou profissionalmente em favor do advogado Amjad Ahmad, com quem discutiu questões financeiras e repasses de documentos fiscais, indicando seu envolvimento direto na manipulação de dados sensíveis.
Os promotores do Gaeco destacam que o papel de Meire Poza ia além do assessoramento contábil, pois ela também cometia os mesmos crimes que ajudava a estruturar. A investigação continua em andamento, com novos desdobramentos aguardados.
