Dirigido pelo estreante Paulo Accioly, o curta-metragem “Cara de V*ado” emprega cenário minimalista — fundo totalmente branco e um simples banquinho de madeira — para discutir masculinidade ao longo de quase 20 minutos.
Ao todo, 37 homens revezam-se em cena. Cada participante surge individualmente, senta no banco e reflete em voz alta sobre a pergunta central que norteia o filme: “Para você, o que é ser um homem?”
Tradição de máscaras de Porto de Pedras
Parte das sequências faz referência à cultura mascareira de Porto de Pedras (AL). As máscaras, que variam de formato, simbolizam a ocultação de identidades e a pressão para seguir papéis de gênero preestabelecidos. Em um dos momentos, um homem usando máscara de boi circula o banco, reforçando a ideia de confinamento psicológico. Mais adiante, outro personagem retira a máscara, gesto que ilustra a tentativa de romper com essa prisão social.
LGBTQIAPN+ e expectativa social
O curta destaca que, para pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, a cobrança em torno de “ser homem” surge ainda na juventude, quando a descoberta da identidade se confronta com um ambiente muitas vezes hostil. O roteiro salienta que o desvio das normas tradicionais — como meninos brincarem com bonecas — costuma gerar rótulos e julgamentos, independentemente da orientação sexual.
Sem recorrer a recursos visuais elaborados, Accioly aposta na força dos depoimentos. A narrativa se constrói somente pelo que é ouvido, convidando o público a refletir sobre como a rigidez de padrões pode aprisionar sentimentos e comportamentos.
“Cara de V*ado” encerra-se sem prometer comoção, mas a simplicidade do formato e a objetividade das falas transformam o filme em uma chamada direta à discussão contemporânea sobre gênero.
