A empresa afirma que a forte concorrência nos certames de outubro e dezembro pode reduzir o retorno abaixo da taxa mínima exigida. O presidente Daniel Slaviero diz que oportunidades seguem sendo avaliadas.
A Copel (Companhia Paranaense de Energia) não deve participar do leilão de transmissão de energia que está previsto para ocorrer em outubro, nem do primeiro certame voltado à contratação de sistemas de armazenamento por baterias, programado para dezembro. Segundo a análise da empresa, a alta concorrência esperada nas duas disputas poderá afetar a rentabilidade dos projetos, reduzindo-a a níveis abaixo da taxa mínima de retorno que a companhia exige.
Em uma entrevista, o presidente da Copel, Daniel Slaviero, destacou que a empresa continua avaliando as oportunidades disponíveis, mas que, neste momento, a tendência é não participar dos dois leilões. Ele declarou:
“Por dever de ofício, a gente sempre estuda as oportunidades, mas tudo indica que a nossa inclinação é não participar de nenhum dos dois, porque estamos vendo que o nível de competição e as baixas barreiras de entrada devem produzir resultados muito apertados, abaixo do nosso retorno mínimo.”
Embora a decisão ainda não tenha sido tomada de forma definitiva, Slaviero indicou que, no cenário atual, não há condições favoráveis para a entrada da empresa nas competições. Os leilões de transmissão no Brasil costumam ser marcados por forte competição entre investidores. Em edições anteriores, os descontos apresentados sobre a receita máxima estipulada pelo governo superaram 50%, o que afetou negativamente o retorno esperado dos projetos.
No que diz respeito ao leilão de baterias, o grande número de empreendimentos cadastrados também indica uma disputa acirrada, com os projetos totalizando quase 300 gigawatts (GW), um volume superior à capacidade instalada de geração de energia elétrica no país.
Apesar da postura cautelosa em relação aos novos leilões, a Copel seguirá investindo na expansão das usinas hidrelétricas que foram vencedoras do leilão de reserva de capacidade. Esses projetos fazem parte da estratégia de crescimento orgânico da companhia para os próximos anos.
Slaviero também comentou que a Copel não está considerando, no curto prazo, operações de fusões e aquisições. De acordo com o executivo, a empresa não está envolvida em nenhum processo de crescimento inorgânico, embora esteja atenta a oportunidades que possam surgir para contribuir com a expansão dos negócios até 2030. Ele afirmou:
“No momento, não estamos engajados em nenhum processo de M&A inorgânico, mas, como temos um horizonte até 2030, essa pode ser uma oportunidade de crescimento.”
