Uma seleção divulgada pelo site britânico Far Out reuniu faixas que foram concebidas quando seus compositores já lidavam com a proximidade do fim da vida. As músicas, marcadas por reflexões sobre mortalidade e legado, tornaram-se referência pela carga emocional que carregam.
Warren Zevon – “Keep Me in Your Heart”
Diagnosticado com mesotelioma terminal, o norte-americano Warren Zevon decidiu registrar um último álbum, “The Wind”, lançado em 2003. A derradeira faixa composta para o disco, “Keep Me in Your Heart”, serve como despedida afetuosa do cantor, que chegou a aconselhar o público, em entrevista a David Letterman, a “aproveitar cada sanduíche”. Zevon morreu em setembro do mesmo ano.
Johnny Cash – “Hurt” (versão para Nine Inch Nails)
Original de Trent Reznor, “Hurt” ganhou novo sentido quando Johnny Cash gravou sua leitura em 2002, a convite do produtor Rick Rubin. A interpretação do ícone country, concluída poucos meses antes de sua morte em 2003, amplia o tom de confissão ao transformar o lamento existencial da letra em um confronto direto com a finitude.
Leonard Cohen – “You Want It Darker”
Em 2016, Leonard Cohen lançou o álbum homônimo cujo tema central é a morte. Na faixa-título, o canadense questiona a justiça divina e assume estar “pronto para partir”. Três meses antes de falecer, o músico havia enviado uma carta de despedida à ex-companheira Marianne Ihlen, reforçando a consciência de que o fim se aproximava.
David Bowie – “Lazarus”
Lançada dois dias antes da morte de David Bowie, em janeiro de 2016, “Lazarus” integra o álbum “Blackstar”. O saxofonista Danny McCaslin, que participou da gravação, relembra a emoção de ouvir Bowie cantar versos alusivos à própria morte enquanto lutava contra um câncer mantido em sigilo.
J Dilla – “Last Donut of the Night”
No hip-hop, o produtor J Dilla finalizou o disco instrumental “Donuts” durante internações hospitalares decorrentes de uma doença autoimune. A última faixa completa, “Last Donut of the Night”, lançada em fevereiro de 2006 pouco antes de sua morte aos 32 anos, sintetiza a inventividade que marcou sua carreira.
A lista reforça como artistas, diante da própria mortalidade, transformaram experiências pessoais em obras que continuam a emocionar fãs em todo o mundo.
Fonte: Tenho Mais Discos Que Amigos!
