Autoridades chinesas definiram novas regras que exigem maçanetas externas com acionamento mecânico a partir de 1º de janeiro de 2027. A mudança gerou o maior recall do país, com cerca de 4,3 milhões de veículos afetados.
O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China anunciou novas diretrizes de segurança automotiva que resultaram no maior recall da história do país. A ação afetou cerca de 4,3 milhões de carros equipados com maçanetas digitais e retráteis, segundo a comunicação oficial.
De acordo com as novas regras, os veículos fabricados a partir de 1º de janeiro de 2027 deverão ter maçanetas externas com acionamento mecânico. No interior das portas, os mecanismos de abertura terão de ser claramente visíveis e posicionados a, no máximo, 30 centímetros da borda da porta. As determinações visam facilitar a localização e o acionamento em situações de emergência.
A mudança de norma foi motivada por relatórios que indicaram dificuldades de socorristas e passageiros para encontrar as maçanetas e abrir as portas em momentos críticos, como após acidentes. Esses relatos levaram as autoridades a revisar o desenho e a ergonomia das maçanetas, priorizando a facilidade de uso em operações de resgate.
A medida atinge grandes fabricantes que usam esse tipo de tecnologia em seus modelos, citando-se nomes como Tesla, Chery, Geely, Zeekr, Xiaomi e Leapmotor. Embora a exigência tenha sido aplicada dentro da China, o impacto tende a se estender ao mercado global, pois muitas montadoras adotam plataformas de produção compartilhadas entre diferentes mercados.
No caso do Brasil, o efeito pode ser sentido entre os modelos importados da China. O mercado brasileiro representa uma das maiores forças importadoras de veículos chineses: até julho, houve um aumento de 146% nas importações em comparação com o mesmo período do ano anterior. Por isso, é plausível que veículos destinados ao mercado brasileiro cheguem adaptados às novas exigências de segurança, com alterações no design externo e nos mecanismos de abertura.
A nova norma reafirma o foco das autoridades em segurança passiva e acessibilidade em situações de emergência, ao mesmo tempo em que força fabricantes a reverem projetos de componentes que vinham sendo utilizados como diferencial estético ou tecnológico. Restam aos consumidores e ao setor acompanhar como essas mudanças serão implementadas por marcas e quais modelos serão chamados ao recall para adequação.
