O baiano Dupê, de Salvador, batizou de “cybercangaço” a fusão de forró, arrocha e piseiro com trap, rock e elementos da cultura digital que vem divulgando nas redes sociais. O termo foi criado pelo próprio artista, que há cerca de nove anos trilha carreira musical e recentemente ganhou repercussão nacional após vídeos virais na internet.
Crítica à visão estereotipada do forró
Segundo Dupê, o conceito procura afastar o gênero nordestino da imagem de “música antiga ou restrita ao São João”. “É trazer o forró para o futuro, com estética moderna, urbana e futurista”, afirma o cantor, que critica a percepção de parte do público de que o Nordeste está preso a estereótipos de pobreza e aridez.
A identidade visual acompanha o discurso: correntes, balaclavas e acessórios típicos do hip hop se misturam a referências do sertão. Nas redes, o contraste entre a estética de rapper e a sonoridade regional tem sido um dos atrativos do projeto.
Da batalha de rap ao forró digital
Antes de adotar o “cybercangaço”, Dupê atuava em batalhas de rap e declamava poesias em ônibus. A guinada veio ao decidir incorporar referências literárias nordestinas ao trabalho autoral e experimentar novos ritmos.
Parcerias e novos palcos
O crescimento na internet levou o cantor a participar do EP natalino “Prazer, Mamãe Noel”, de Pabllo Vittar, lançado em 2023. Ele é o único convidado do projeto, aparecendo na faixa “A Ceia”. Em seguida, passou a abrir shows do rapper Xamã em Salvador e assinou contrato com a Bagua Records, mesma gravadora do artista carioca. Atualmente, Dupê reside no Rio de Janeiro.
Olhar para a cena latina
O músico também mira o cenário internacional e cita o mexicano Peso Pluma, conhecido por mesclar corridos tradicionais com trap e hip hop, como exemplo de caminho possível. Para Dupê, o forró pode alcançar projeção semelhante à do funk brasileiro fora do país: “No fim, é tudo uma unificação da cultura latina, e o cybercangaço faz parte disso”.