O ministro Márcio Elias Rosa afirmou nesta quinta que o governo seguirá negociando para impedir a aplicação da tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros. O Brasil também busca ampliar isenções da tarifa de 12,5%.
Na quinta-feira, 23 de julho de 2026, o ministro do MDIC (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, destacou que o governo brasileiro vai continuar as negociações para evitar a aplicação da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Além disso, o Brasil trabalhará para ampliar a lista de isenções à tarifa de 12,5% que também é aplicada aos produtos do país e de outras nações. Essa tarifa foi implementada sob a alegação de que os países não combateriam adequadamente a importação de bens produzidos por trabalho forçado.
“O presidente Lula orienta continuar negociando, negociando, negociando, para quê? Afastar a imposição dos 25% que já foram decididos naquela seção própria do Brasil, e para que a gente possa ter, nessa decisão de hoje, a ampliação da lista de exceções”, afirmou o ministro a jornalistas.
Entre os itens que estão na pauta de exportação do Brasil para os Estados Unidos, estão a carne bovina e o café, que são considerados produtos sensíveis à inflação americana, especialmente os alimentos da cesta básica.
Ao ser questionado sobre a pressão do setor empresarial para que o governo evite a adoção da Lei de Reciprocidade em relação aos Estados Unidos, Márcio Elias declarou:
“O governo brasileiro não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade, porque seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira, os interesses do Brasil”.
Ele ainda acrescentou:
“O governo do presidente Lula não vai renunciar nunca à possibilidade de, efetivamente, em todos os meios e formas, defender os interesses dos setores produtivos. O momento e a forma de fazê-lo é que o tempo vai determinar. É óbvio que o interesse primário é negociar. É óbvio que o objetivo é evitar e afastar essas tarifações, porque elas são extremamente injustas e muito danosas”.
O ministro também mencionou setores que estão sendo prejudicados pelas tarifas americanas, como o de madeira, e afirmou que, se necessário, o Brasil não hesitará em utilizar a reciprocidade. Em relação à tarifa de 12,5%, ele a considerou
“indevida, ilegítima e ilegal”, além de “baseada em fatos que não são reais”.
O Brasil se comprometeu a contestar e protestar contra essa nova tarifa, utilizando todos os mecanismos disponíveis para rechaçar sua imposição.
Márcio Elias informou que cerca de 2 mil produtos exportados para os Estados Unidos não estarão sujeitos à tarifa de 12,5% ou à sobretaxa de 25%. Para itens como celulose e pescados, a tarifa de 12,5% será aplicada.
O ministro ressaltou que há produtos que enfrentarão uma dupla tributação de 37,5%, incluindo calçados, máquinas e químicos, desde que não sejam farmacêuticos. Ele destacou também que o Brasil tem compromissos históricos no combate ao trabalho forçado e que todos os acordos internacionais do país contêm regras para evitar a comercialização de bens produzidos dessa forma.
O Brasil, após as investigações dos Estados Unidos, estará sujeito à alíquota de 12,5%. O ministro também mencionou o plano Brasil Soberano 3, que foi lançado recentemente e está preparado para acolher os setores afetados pela nova tarifa.
O ministro concluiu que a prioridade do governo é atender os setores impactados, preparando-os para diversificação de mercados e enfrentamento de questões legais.
