O clube repudiou a ofensa sofrida pelo goleiro no jogo contra o Juventude e declarou apoio total ao atleta. Atlético-GO pede identificação dos responsáveis e investigação pelas autoridades gaúchas.
O Atlético Goianiense se posicionou sobre a denúncia de injúria racial feita pelo goleiro Paulo Vitor no jogo contra o Juventude, pela 26ª rodada da Série B. Segundo o relato do jogador, um torcedor do time gaúcho teria proferido ofensa verbal, chamando-o de macaco. Em nota divulgada neste domingo, o clube repudiou o episódio, prestou solidariedade ao atleta e cobrou a identificação e punição dos responsáveis.
A direção do Atlético-GO afirmou apoio total ao goleiro e pediu que as autoridades gaúchas investiguem o caso. Parte da reação do clube foi publicada em nota oficial, na qual a instituição classificou o episódio como inaceitável e reforçou a exigência de apuração e sanções previstas em lei.
“O Atlético Goianiense espera que episódios desta natureza não voltem a ocorrer no futebol brasileiro. Essa prática de diminuir o indivíduo pela sua cor ou raça é uma prática baixa, suja e peçonhenta. Espera-se que os responsáveis pelas ofensas sejam identificados e punidos severamente pela lei.”
O gerente de futebol do Atlético-GO, Júnior Murtosa, também comentou o caso e disse que o episódio afetou todos no clube, destacando o impacto sobre a vítima e seus familiares. Ele classificou o ocorrido como inadmissível e informou que as imagens das câmeras do estádio estão sendo analisadas para tentar identificar o suspeito da injúria.
“É claro que dói em todos, principalmente nele. Esse ato de racismo deve doer muito também nos familiares ao saberem do ocorrido, mas dói em nós também. Não apenas por ele ser um companheiro, mas porque isso não pode estar presente no nosso dia a dia, em qualquer lugar onde estejamos. Isso é inadmissível.”
O episódio também foi registrado na súmula da partida. No documento, o árbitro Ramon Abatti Abel declarou que não presenciou nem ouviu a manifestação durante a partida e que tomou conhecimento do caso a partir do relato do goleiro.
Conforme a súmula, inicialmente o jogador teria informado ao quarto árbitro, Eduardo Fernandes Bastos, que teria ocorrido um gesto de macaco. Em seguida, ao conversar com o árbitro principal, o goleiro relatou que sofreu um ato de racismo. Já no vestiário da arbitragem, na presença de representantes dos dois clubes e do delegado da partida, o jogador apresentou versão mais detalhada, apontando que não houve gesto, mas uma manifestação verbal.
“Joga a bola, macaco”
Até o momento da publicação desta reportagem, o Juventude não havia se pronunciado oficialmente sobre o ocorrido. Murtosa afirmou que os funcionários do estádio Alfredo Jaconi prestaram apoio aos representantes do Atlético-GO e acompanharam o clube até o policiamento para colaborar com a identificação do torcedor apontado nas denúncias.
Abaixo, a íntegra da nota divulgada pelo Atlético Goianiense:
O Atlético Goianiense vem a público manifestar total apoio e solidariedade ao atleta Paulo Vitor, pelas ofensas sofridas já no final do jogo entre Juventude x Atlético Goianiense, no Estádio Alfredo Jaconi.
O Atlético repudia de forma veemente qualquer ato de racismo ou discriminação.
O Atlético Goianiense está ao lado de Paulo Vitor e espera que as autoridades identifiquem os autores das injúrias e que os atos ocorridos sejam devidamente apurados. É importante ressaltar que a direção do Juventude, desde o primeiro momento, se colocou à disposição com o intuito de identificar os responsáveis e esclarecer os acontecimentos.
O Atlético Goianiense espera que episódios desta natureza não voltem a ocorrer no futebol brasileiro. Essa prática de diminuir o indivíduo pela sua cor ou raça é uma prática baixa, suja e peçonhenta. Espera-se que os responsáveis pelas ofensas sejam identificados e punidos severamente pela lei.

