Caio Resende diz que é hora de avançar com o fair play financeiro. A agência reguladora recebeu as prestações de contas no fim do mês; das 40 equipes, mais da metade admitiu débitos.
Caio Resende fala sobre o momento para a implementação do sistema de fair play financeiro. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) recebeu, no fim do mês passado, a prestação de contas de clubes das Séries A e B. Na declaração, mais da metade dos 40 clubes apresentaram débitos diversos no futebol brasileiro.
As dívidas aparecem em diferentes frentes e foram registradas no balanço entregue à agência. Entre as categorias de compromissos apontadas estão:
Tipos de dívidas declaradas
- Dívidas com instâncias governamentais — tributos e encargos relacionados à atividade dos clubes.
- Dívidas com jogadores e treinadores — salários, direitos trabalhistas e parcelas contratuais.
- Dívidas entre clubes — valores decorrentes de transferências e acordos entre agremiações.
A agência reguladora, criada este ano, estabeleceu três pontos de corte por ano para conferência das dívidas dos clubes. O prazo anterior era do fim de março, mas houve dois adiamentos, e o processo foi fechado em 11 de maio, a pedido dos clubes. A verificação de julho tinha como ponto de corte 30 de junho. A última conferência do ano está prevista para o fim de novembro, com corte em 31 de outubro.
Pontos de corte e prazos
- 11 de maio — fechamento da prestação de contas após adiamentos.
- 30 de junho — ponto de corte da verificação de julho.
- 31 de outubro — ponto de corte para a conferência final do ano; última conferência prevista para o fim de novembro.
Apesar da maioria dos clubes apresentar débitos, a ANRESF prevê prazo de adaptação até 30 de novembro de 2026 para dívidas antigas. Até essa data, a única sanção prevista aos clubes pelos débitos anteriores ao início de 2026 é a advertência.
Para as obrigações assumidas a partir de 1º de janeiro de 2026, o regulamento prevê uma escala de sanções progressivas. O sistema de sanções já inclui medidas que podem ser aplicadas em caso de descumprimento das regras para novas dívidas.
‘em ajuste’
O presidente da agência prevê decisões rápidas, mas teme o impacto em um mercado “em ajuste”.
Sanções previstas
- Advertência pública
- Multas financeiras
- Retenção de receitas
- Transfer Ban
- Perda de pontos
- Rebaixamento
- Cassação da licença
Recentemente, o São Paulo foi notificado com a ameaça de transfer ban para cobrança de valores relativos à transferência do meio-campista Djhordney. O caso ilustra que medidas já podem ser acionadas para débitos vinculados a operações concretas, enquanto o regime de transição para dívidas antigas mantém a predominância de advertências até o prazo de adaptação.
O anúncio do Fair Play Financeiro para 2026 e a atuação da agência marcam uma mudança no controle e na fiscalização das finanças dos clubes. As próximas conferências e a aplicação das sanções previstas serão determinantes para observar como o mercado reagirá e como os clubes irão ajustar suas contas diante das novas regras.

