Depois de quase um ano nos tribunais da Califórnia, a disputa judicial chegou ao fim em acordo, sem pagamento entre as partes. A sessão para divulgar Cartoon Darkness foi cancelada após a banda recusar o uso comercial das imagens.
Chegou ao fim, depois de quase um ano de idas e vindas nos tribunais da Califórnia, a disputa judicial entre Amy Taylor, vocalista do Amyl and the Sniffers, e a fotógrafa norte-americana Jamie Nelson.
A relação entre as partes começou em julho de 2024, quando a empresária Simone Ubaldi procurou Nelson para fotografar o Amyl and the Sniffers para a divulgação de Cartoon Darkness, terceiro disco do grupo australiano. Segundo a ação movida por Taylor, aquela sessão acabou cancelada depois que a banda se opôs ao uso comercial proposto para a própria imagem.
Meses depois, em março de 2025, Nelson procurou a cantora diretamente para um novo ensaio. As fotos, feitas em Los Angeles, resultaram na série “Champagne Problems”, publicada na edição de julho de 2025 da Vogue Portugal.
De acordo com o processo, Taylor teria autorizado a sessão apenas para a revista e nunca teria licenciado outros usos comerciais. Alega-se que a confusão se deu porque a fotógrafa passou a vender as imagens em seu site por valores que chegavam a quase R$20 mil mesmo após a vocalista ter recusado a permissão para a comercialização.
Jamie Nelson usou as redes sociais para comemorar o fato de que o processo no qual Taylor alegava exploração indevida de sua imagem e pedia indenização por lucros perdidos e danos à reputação foi encerrado no fim de outubro com a extinção de todas as ações restantes.
No post, Nelson também relatou que financiou o ensaio por conta própria e denunciou que sofreu o que classificou como um “processo de intimidação”. Ela publicou uma declaração explicando sua visão do caso:
“Acredito que esse caso foi um processo de intimidação com o objetivo de tirar de uma artista os direitos que ela já tinha, enraizado em uma incompreensão fundamental e na falta de respeito de Taylor e de sua empresária pelos direitos dos fotógrafos como artistas. Só porque celebridades têm dinheiro para bancar processos não significa que elas possam controlar a propriedade intelectual ou o trabalho criativo de outro artista. Fama e recursos financeiros não dão a ninguém a posse da arte de outra pessoa.”
Segundo o acordo homologado pela Justiça Federal, cada lado deverá arcar com os próprios custos e honorários do processo, e nenhum valor foi pago de uma parte para a outra. A empresária comentou o caso e frisou que não houve transferência de quantias entre as partes.
O caso vinha sendo acompanhado pelo mundo da fotografia como um marco no debate entre direito autoral e direito de imagem.
