Campanha de agosto reforça apoio à amamentação: a SMAM foi de 1º a 7 de agosto e há iniciativas durante todo o mês. A pediatra Roseane Porto, do HU-UFS, destaca benefícios à saúde neonatal e esclarece mitos.
O mês de agosto é dedicado ao Agosto Dourado, uma campanha que visa incentivar, proteger e apoiar a amamentação. Neste ano, o tema da campanha é “Amamentação para um começo de vida saudável: fortaleça o que funciona”. A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) ocorreu entre os dias 1º e 7 de agosto, mas ao longo de todo o mês, diversas ações e estratégias estão sendo discutidas para criar redes de apoio e garantir orientações gratuitas.
A médica pediatra Roseane Porto, do Ambulatório de Triagem Neonatal do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil), destacou a importância da campanha para promover a conscientização sobre os benefícios da amamentação. Ela enfatizou que o sucesso da amamentação não depende apenas da mãe, mas de uma rede de apoio que inclui a família, serviços de saúde, empregadores, governo e comunidade.
“O Agosto Dourado é de grande relevância para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, além de sensibilizar a sociedade sobre os benefícios dessa prática para o binômio mãe-bebê”, afirmou Roseane.
Roseane também ressaltou que o leite materno oferece benefícios que vão além da nutrição. Ele fortalece o vínculo afetivo entre mãe e bebê, reduz o risco de infecções e pode diminuir a prevalência de doenças crônicas no futuro, como obesidade e diabetes. O leite materno é adaptável, atendendo às necessidades do bebê ao longo do crescimento.
Além de nutrir, a amamentação pode ser uma forma de ajudar outros bebês, pois a doação de leite é fundamental para a nutrição de prematuros internados em unidades neonatais. O leite materno é considerado o alimento mais completo e é uma opção sustentável, já que não gera resíduos ou emissões.
A campanha Agosto Dourado iniciou em 1992, promovida pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (WABA), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF. No Brasil, a campanha foi oficializada pela Lei Federal nº 13.435/2017, sendo uma ação importante para a saúde pública.
Apesar da relevância do tema, ainda existem muitos mitos e verdades sobre o aleitamento materno. Um dos mitos comuns é que para voltar ao trabalho, a mulher precisa desmamar o bebê. Na verdade, ela pode ordenhar o leite e armazená-lo adequadamente. Outro mito é que o leite pode ficar “empedrado”, mas na verdade, o que ocorre é o acúmulo de leite nas mamas, causando desconforto.
Cirurgias plásticas nos seios podem, sim, interferir na amamentação, e o tamanho dos seios não influencia na produção de leite. Além disso, mesmo se a mãe estiver gripada, ela deve continuar amamentando, pois os anticorpos presentes no leite ajudam a proteger o bebê.
