Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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Um acordo provisório entre Washington e Teerã encerrou meses de conflito, mas revelou os limites do poder americano. Pequim aproveitou o vácuo e emergiu como protagonista da paz mundial.

Quando os ataques dos EUA e de Israel começaram no Irã no final de fevereiro, os líderes da China temiam a possibilidade de perder mais um aliado, como ocorreu com a Venezuela semanas antes. No entanto, quase quatro meses depois, a situação se transformou com a assinatura de um acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã, que, apesar de manter o regime de Teerã, evidenciou os limites do poder americano.

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A diplomacia chinesa, por sua vez, ganhou destaque. O país recebeu diversas visitas de líderes internacionais e se posicionou como um defensor da paz, recebendo elogios até do presidente dos EUA, Donald Trump, por sua postura durante o conflito.

“Quero agradecer à China, ao presidente Xi… ele permaneceu neutro, totalmente neutro, e agradeço por isso”, disse Trump em uma coletiva de imprensa do G7.

A segunda maior economia do mundo também conseguiu lidar melhor com a crise energética causada pelo conflito, em parte devido a suas reservas estratégicas de petróleo e ao avanço em tecnologias verdes e veículos elétricos.

O Ministério das Relações Exteriores da China comemorou o acordo EUA-Irã, destacando que Pequim está pronta para contribuir na restauração da paz no Oriente Médio. Embora o porta-voz Lin Jian não tenha confirmado a participação da China no acordo, ele enfatizou os esforços do país para promover a paz na região, incluindo a proposta de paz de quatro pontos apresentada pelo líder Xi Jinping em abril.

A China adotou uma abordagem diplomática equilibrada ao longo do conflito, condenando os ataques dos EUA e de Israel, ao mesmo tempo em que continuou suas importações de petróleo do Irã, desafiando as sanções. Pequim manteve canais de comunicação abertos com ambos os lados, recebendo líderes estrangeiros a medida que o conflito progredia.

Na quarta-feira, o diplomata chinês Wang Yi conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e enfatizou a importância de uma navegação segura no Estreito de Ormuz, afirmando que “o alvorecer da paz emergiu”.

Os efeitos do conflito também geraram debate na China sobre a posição dos EUA no cenário global. Especialistas questionam se a situação representa um “momento Suez” para os EUA, similar à perda de controle britânico sobre o Canal de Suez na década de 1950, um sinal do declínio do país. Segundo alguns analistas, a incapacidade dos EUA de mobilizar apoio significativo para a guerra indica uma divisão crescente no sistema de aliança global liderado por Washington.

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