Ministro Alexandre Padilha diz que o Brasil apresentará em Antália (9-20/11) o modelo do SUS para enfrentar impactos climáticos na saúde. O sistema adapta unidades para serem acolhedoras e mais resilientes.
A estrutura desenvolvida no Brasil para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas na saúde será apresentada na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que ocorrerá em Antália, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva sobre a preparação do país para o evento.
Segundo o ministro, serão mostradas as mudanças promovidas no Sistema Único de Saúde (SUS) para adequar o atendimento e tornar as unidades de saúde ambientes de acolhimento adaptados e resilientes aos impactos climáticos.
“A crise climática é, sobretudo, uma crise de saúde pública. O tema da saúde, certamente, é o tema mais sensível, que pode ser o mais mobilizador para a sociedade como um todo agir sobre as ações necessárias para evitar as mudanças climáticas e também adaptar os sistemas de saúde”, disse Alexandre Padilha.
Investimentos e ações
- R$ 9,8 bilhões previstos no programa AdaptaSUS, até 2035.
- 2.795 unidades básicas de saúde sendo adaptadas para maior resiliência.
- 4.056 novas ambulâncias do SAMU previstas para entrega.
- 783 soluções de água potável instaladas em Terras Indígenas.
- 20.800 cisternas a serem implantadas no semiárido do Nordeste e do Sudeste.
Força Nacional do SUS — resultados e expansão
A Força Nacional do SUS, criada em 2011, será apresentada como modelo de resposta emergencial para reforço às unidades de saúde. Nos últimos quatro anos, houve reforço em 25 estados, com a mobilização de 2.423 profissionais e a realização de 86.918 atendimentos em 104 missões. A maior missão citada ocorreu no Rio Grande do Sul, devido às enchentes de 2024, com 763 profissionais empenhados e 29.019 atendimentos.
Foram criadas cinco bases para descentralizar o apoio às redes de saúde, alcançando regiões além do Centro-Oeste. Atualmente estão em funcionamento as bases de Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Velho e Porto Alegre. Até o fim do ano, mais quatro bases entrarão em funcionamento em Recife, Fortaleza, Campo Grande e Belém.
Centros de Informação em Saúde e Clima (CISCs)
Outra iniciativa que será levada à COP31 é a criação dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISCs). Esses centros monitoram dados de qualidade do ar e da água, variações de temperatura e extremos climáticos, com o objetivo de antecipar riscos, identificar vulnerabilidades e preparar o sistema de saúde para os efeitos de cada evento.
“O El Niño no Brasil tem diferentes impactos regionais, por exemplo, e compreender isso é fundamental para a preparação. para a resposta a ele”, disse Alexandre Padilha.
Agenda internacional e financiamento
O Brasil também pretende reforçar a cooperação global e o debate sobre financiamento climático em saúde. No âmbito da coalizão conhecida como Grupo Baku, estão reunidos os países presidentes das últimas COPs: Brasil, Azerbaijão, Egito, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido. Austrália e Turquia também ingressaram na coalizão e já consolidam participação com uma agenda de atividades que vem ocorrendo antes mesmo da COP31.
O Plano de Ação em Saúde de Belém, lançado na COP30, será outro tema na agenda. A iniciativa visa reunir países para adaptação e fortalecimento da atenção à saúde de populações vulneráveis. Em um ano, o plano foi endossado por 40 países, conta com o apoio de 50 organizações e já integra mais de 60 ações.
No que diz respeito a financiamento, na COP30 foram anunciados US$ 300 milhões para projetos voltados à melhoria da atenção à saúde de populações. O governo inscreveu propostas de universidades e organizações sociais voltadas ao monitoramento da qualidade do ar e ao fortalecimento dos sistemas de atenção.
“A expectativa agora é que nessa COP31 vai ter uma mesa, da qual eu vou participar, na qual será apresentado os programas que foram aprovados para serem financiados com esse valor de 300 milhões de dólares”, disse Alexandre Padilha.
Espera-se ainda, em Antália, o anúncio de novos financiamentos e a entrega de um documento orientativo para auxiliar países a buscar recursos junto a agências internacionais e bancos de fomento, com foco na adaptação dos sistemas nacionais de saúde.
