Itabaiana · terça-feira · 03 de novembro de 2026
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A South Atlantic Potash, com apoio da Desenvolve-SE, registrou silvinita em quatro poços na Bacia de Sergipe-Alagoas. A descoberta, no Membro Ibura da Formação Muribeca, pode impulsionar a produção de potássio.

Um projeto de exploração marítima de potássio na Bacia de Sergipe-Alagoas sinaliza potencial para mudar parte do cenário da mineração e do agronegócio no estado. Desenvolvido pela empresa South Atlantic Potash (SAP), com apoio da Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), o empreendimento localizou jazidas de silvinita, rocha associada à presença de potássio, mineral utilizado na fabricação de fertilizantes.

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Segundo a base de dados históricos da SAP, quatro poços atravessaram o Membro Ibura, da Formação Muribeca, e confirmaram a presença de silvinita. Em um desses poços, foi identificada uma camada de 27,5 metros de silvinita a aproximadamente 2,5 quilômetros de profundidade. A partir da análise conjunta dos dados dos poços e das informações sísmicas, a empresa delimitou nove alvos exploratórios no Baixo Mosqueiro. Essas áreas, porém, ainda não representam reservas minerais comprovadas.

Atualmente, o projeto encontra-se na fase de avaliação técnica conceitual. Os próximos passos incluem campanhas de sondagem confirmatória no mar, estimativa formal dos recursos minerais, estudos de viabilidade econômica e de engenharia, além do licenciamento ambiental e da estruturação do financiamento.

A iniciativa adapta para o mar a técnica de lavra por dissolução (solution mining), sem prever grandes escavações no fundo do oceano. O processo consiste em perfurar poços a partir de estruturas marítimas e injetar água nas camadas subterrâneas para dissolver os sais, criando uma salmoura rica em minerais que retorna à superfície. Transportada para uma unidade em terra, a salmoura passa por evaporação e cristalização para separar os sais, com o objetivo final de obter KCl, insumo fundamental para a fabricação de fertilizantes agrícolas.

De acordo com o CEO da SAP, Bonzi Yokomizo, a tecnologia reduz os impactos ambientais por não gerar rejeitos sólidos, dispensar o uso de barragens e não utilizar reagentes químicos. O cloreto de sódio obtido no processo será vendido como coproduto, e a salmoura residual passará por rigoroso controle de licenciamento ambiental.

O projeto também busca atacar uma das questões do agronegócio brasileiro: a dependência externa do potássio. O Brasil é o segundo maior consumidor mundial do mineral, mas importa mais de 96% do cloreto de potássio (KCl) que utiliza. A oferta global é fortemente concentrada em três países — Canadá, Rússia e Belarus —, que respondem por 87% do mercado internacional.

Segundo o governo do estado, a meta inicial da empresa é produzir 2 milhões de toneladas de potássio por ano, o que corresponderia a cerca de 14% da demanda nacional — cerca de quatro vezes a produção brasileira atual. A estimativa é que a produção local gere uma economia anual entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões e contribua para maior segurança de abastecimento frente a crises externas.

A presença de potássio em Sergipe é conhecida desde 1963, quando a Petrobras descobriu jazidas acidentais em Rosário do Catete. O município abriga até hoje a única mina de potássio em operação no país, no Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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