A assembleia de acionistas da Vale está agendada para hoje, 22 de julho de 2026, com o objetivo de eleger um novo presidente para o Conselho de Administração da mineradora. Na manhã de ontem, a Vale divulgou um mapa dos votos que estarão em disputa, revelando que Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, atualmente diretor da empresa, lidera a corrida. Ele conta com o apoio da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, e já possui votos de acionistas que detêm 1,29 bilhões de ações, o que representa 62,5% dos votos já recebidos.
O principal concorrente de Oliveira é o conselheiro Marcelo Gasparino, que é considerado independente e possui cerca de 36% do total de votos, equivalente a 746 milhões de ações.
Até o momento, a Vale contabiliza 2,066 bilhões de ações votadas, o que representa 48,5% do capital votante, conforme informações da própria empresa. No entanto, o resultado final da eleição ainda está pendente, uma vez que novos votos ainda precisam ser computados, incluindo os dos detentores de ADRs, que serão representados na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) pelo JPMorgan Chase Bank, atuando como banco depositário.
A necessidade de mudança na presidência do conselho foi impulsionada pela Previ, que é o segundo maior acionista individual da Vale, com 6,8% das ações. Em junho, a Previ solicitou a substituição de Daniel Stieler, que foi indicado ao conselho pela entidade em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro. A fundação justifica essa mudança como uma renovação que visa fortalecer a independência do colegiado. Stieler renunciou aos cargos de membro e de presidente do conselho no início deste mês, antes da votação sobre sua destituição.
A Previ, que está vinculada ao Banco do Brasil, era a acionista controladora da Vale até 2020, quando a empresa passou a ter capital disperso, mantendo ainda duas cadeiras no conselho da Vale. Para a eleição do conselho de administração que ocorre hoje, Ieda Gomes Yell, que teve sua indicação aprovada pelo colegiado, aparece atualmente à frente, com 1,396 bilhão de votos a favor, enquanto José Maurício Pereira Coelho, apoiado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, conta com 616,1 milhões de votos favoráveis.
Fontes ligadas ao governo esclareceram que Silveira não participou do processo de nomeação de Coelho, que também recebe apoio da Previ e do Banco do Brasil. A situação gerou discussões no Congresso Nacional, onde há preocupações sobre uma possível interferência do governo nas eleições da Vale, embora tanto o governo quanto a mineradora tenham negado essa alegação, afirmando que a disputa demonstra um afastamento do governo da companhia.
