Itabaiana · sábado · 10 de outubro de 2026
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Uma reportagem publicada hoje no britânico Financial Times destaca que o Brasil pode se tornar o maior exportador agrícola do mundo, superando os Estados Unidos. Segundo informações do Departamento de Agricultura americano e do Ministério da Agricultura brasileiro, as exportações dos EUA em produtos agrícolas totalizaram US$ 171 bilhões no ano passado, apenas US$ 2 bilhões a mais que o Brasil. Em 2021, essa diferença era de US$ 56 bilhões.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras do setor agro cresceram 6%, alcançando um recorde de US$ 87 bilhões. Esse crescimento é impulsionado pelo Brasil ser o maior produtor mundial de soja, além de se destacar na produção de carnes bovina e avícola. O país também vem ganhando espaço em cultivos como o algodão, em que ultrapassou os EUA como principal exportador.

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“A força do setor agrícola do Brasil não é apenas consequência da política comercial americana, mas é algo que vem sendo construído ao longo das últimas décadas”, afirmou Raphael Bulascoschi, analista da corretora de commodities StoneX.

Os analistas ouvidos pela reportagem atribuem essa mudança em parte às “perturbações comerciais” causadas pelas tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump. A China, um dos maiores compradores de produtos agrícolas do mundo, reduziu significativamente suas importações dos EUA após as tarifas implementadas em 2018. Um gráfico da reportagem mostra que em 2016, a China comprava volumes semelhantes de soja do Brasil e dos EUA, mas após as retaliações, o Brasil viu seu crescimento acelerar.

Em 2025, o Brasil exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto as exportações dos EUA não ultrapassaram a casa das dezenas de milhões. Apesar dos EUA continuarem a produzir “safras extraordinárias”, a reportagem aponta que as margens de lucro estão diminuindo devido às tensões comerciais e aos preços baixos no mercado.

A American Farm Bureau Federation, um importante grupo de lobby agrícola nos EUA, estima que o setor enfrentará prejuízos significativos no próximo ano, incluindo US$ 138 por acre para a soja e US$ 406 para o algodão.

O Brasil, que ainda é o líder na exportação de café, cana-de-açúcar e suco de laranja, passou por uma transformação ao longo das últimas décadas, deixando de depender de importações para alimentar sua população até os anos 1970. O país aproveitou seu território para gerar até três safras por ano, impulsionado pela disponibilidade de terras e pela inovação no tratamento de solos e desenvolvimento de culturas adaptadas ao clima.

No entanto, os especialistas alertam que o Brasil também deve se preparar para cenários desafiadores, como altas taxas de juros internas, queda nos preços das commodities e aumento nos custos de fertilizantes, que em sua maioria são importados.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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