As vendas de combustíveis do ciclo Otto, que englobam a gasolina C e o etanol hidratado, devem apresentar crescimento no quarto bimestre de 2026, com o etanol à frente dessa expansão. Essa previsão é resultado de um levantamento realizado pela consultoria Argus, que avaliou as principais distribuidoras do país. O aumento da demanda será impulsionado pela recuperação da atividade econômica e pela competitividade do biocombustível em relação à gasolina.
A mediana das estimativas aponta que o consumo combinado de gasolina C e etanol hidratado deve alcançar cerca de 5,6 bilhões de litros em julho e agosto. Se essa projeção se concretizar, será um crescimento de 5,6% em julho e de 4,5% em agosto, se comparado aos mesmos meses do ano anterior, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“O bom desempenho reflete principalmente o aumento da renda, do emprego e da atividade econômica, fatores que sustentam uma maior demanda por combustíveis”, afirmou Maria Albuquerque, responsável pela precificação de diesel na Argus.
O destaque principal deverá ser o etanol hidratado, cuja expectativa é que o consumo atinja aproximadamente 1,7 bilhão de litros em cada um dos dois meses. Isso representa um crescimento de 17% em julho e 19% em agosto em relação ao mesmo período do ano passado. Essa alta se deve à maior competitividade do biocombustível; na semana iniciada em 5 de julho, a relação de preços entre etanol e gasolina ficou em 61,7%, abaixo dos 66,7% do ano anterior, tornando o etanol mais atrativo para os consumidores.
Por outro lado, a gasolina C deve manter um consumo próximo de 3,9 bilhões de litros por mês, com estabilidade em julho e uma leve queda de 1% em agosto em comparação anual. Contudo, as projeções ainda não levam em conta um fator que pode aumentar ainda mais a demanda por etanol: o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 30% para 32%, conforme anunciado pelo governo federal no dia 14 de julho. Essa mudança deve elevar o consumo do biocombustível entre as distribuidoras nos próximos meses.
No segmento do diesel, as expectativas são mais moderadas. As distribuidoras projetam vendas em torno de 6,3 bilhões de litros para julho e agosto. Esse volume representa uma queda de 1,4% em julho, mas uma recuperação de 3,8% em agosto, resultando em um crescimento de 1,1% no acumulado do bimestre em comparação ao mesmo período do ano passado.
Com a mistura obrigatória de 15% de biodiesel no diesel B, em vigor desde agosto de 2025, a demanda pelo biocombustível deve alcançar quase 1,9 bilhão de litros no bimestre, o que representa uma alta de 5% em relação ao ano anterior.
A Argus avalia que essas projeções refletem expectativas otimistas para a economia brasileira, levando em consideração indicadores como crescimento do PIB e aumento da renda, além do desempenho de setores com forte consumo de combustíveis, como transporte, logística e agronegócio.
Para o setor sucroenergético, essa perspectiva reforça a demanda doméstica por etanol, que já vinha sendo favorecida pelos preços competitivos e agora deve ganhar um impulso adicional com o aumento da participação do biocombustível na gasolina.
