Os Estados Unidos contam atualmente com 98 investigações comerciais em andamento, além do inquérito já encerrado contra o Brasil. Essa informação foi apresentada pelo analista de Internacional, Lourival Sant’Anna, em uma análise que destaca as políticas comerciais globais adotadas pelo governo americano.
A análise foi provocada por declarações do presidente Lula sobre uma possível “guerra da narrativa” com o ex-presidente Donald Trump. Em suas palavras, Lula afirmou:
“A guerra que eu quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem é que está dentro da verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos”
. Ele também indicou que se manifestaria oficialmente sobre o tema apenas quando Trump o fizesse, considerando que as declarações até então eram vindas do “segundo escalão” do governo americano.
O analista Lourival Sant’Anna observou que, em um eventual confronto de narrativas, o Brasil possui argumentos concretos. De acordo com ele, a tarifa média praticada pelo Brasil é de 11%, enquanto os Estados Unidos têm uma média de 3% e a União Europeia de 4%. Além disso, mencionou que a tarifa brasileira sobre o etanol é de 18%, em contraste com a tarifa americana de 2,5%. O Brasil também aplica 20% sobre produtos industrializados e 35% sobre automóveis. Para insumos destinados ao plástico da Braskem, as tarifas americanas podem ultrapassar 60% quando contabilizadas as ações antidumping.
O analista detalhou que as 99 investigações do USTR, sendo 98 abertas, estão organizadas em quatro frentes principais. A primeira se refere ao trabalho forçado, envolvendo 59 países e a União Europeia, com potencial de gerar tarifas de até 12,5%, incluindo o Brasil. A segunda diz respeito ao excesso de capacidade instalada estrutural, com 15 países e a União Europeia na lista. A terceira frente é sobre comércio bilateral, abrangendo investigações contra a China, Nicarágua, Alemanha, Canadá, Coreia do Sul e Vietnã. Por fim, existem disputas específicas, como as ligadas a impostos sobre serviços digitais, que envolvem o Brasil e a União Europeia, além de uma disputa relacionada à Airbus e Boeing e outra sobre carne bovina europeia.
Concluindo, Sant’Anna ressaltou que a situação não é direcionada especificamente ao presidente Lula ou ao Brasil, mas sim uma política global do governo Trump.
