O jurista e membro da Academia Brasileira de Letras, Joaquim Falcão, afirmou que os Três Poderes da República se uniram a um ponto em que a separação entre eles e o sistema de freios e contrapesos da democracia estão esvaziados. Durante a participação no WW Especial, Falcão destacou que, historicamente, a oligarquia é formada por grupos externos que se apropriam do Estado, mas atualmente, no Brasil, essa oligarquia estaria surgindo de dentro das próprias instituições que têm a função de fiscalizar umas às outras.
“Nós estamos vendo o contrário”, afirmou Falcão, ao ressaltar que essa nova forma de oligarquia é como um “cupim”, que se desenvolve internamente e consome as estruturas que sustentam a democracia, sem a necessidade de uma apropriação externa.
Quando questionado sobre como ocorre esse pacto entre os Poderes, Falcão explicou que a derrubada da democracia atualmente não se dá mais por meio de revoltas nas ruas ou confrontos armados, como os que aconteceram em 1937 e 1964. “As novas armas, em geral, são intangíveis. A gente não percebe elas, elas não são mais físicas”, disse ele, enfatizando que essa transformação é sutil, mas poderosa.
Um exemplo citado pelo jurista foi a disputa em torno da pauta legislativa, ou seja, quem controla o que será discutido, quando e por quem. “Isso é uma estratégia de poder”, finalizou. O debate sobre a relação entre os Três Poderes e as novas dinâmicas de poder no Brasil continua a ser um tema importante na atualidade.
