Itabaiana · quinta-feira · 08 de outubro de 2026
⏱ 3 min de leitura

A demora dos produtores rurais para finalizar a compra de fertilizantes compromete o abastecimento para a próxima safra de verão, reduzindo o volume comercializado em 2026. O presidente da Yara Brasil, Marcelo Altieri, destaca que o mercado não tem tempo hábil para atender toda a demanda, caso os agricultores decidam adquirir os insumos nas próximas semanas.

“O agricultor está aguardando o último momento para tomar a decisão. Esse é o problema: já não dá mais tempo”, afirmou Altieri.

Publicidade

Em uma entrevista exclusiva, Altieri projetou uma retração de cerca de 12% nas entregas de fertilizantes aos produtores neste ano. Os dados de mercado mostram um atraso significativo nas compras em relação ao mesmo período de 2025. As entregas devem cair de 49 milhões de toneladas, registradas pela ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) no ano passado, para aproximadamente 43 milhões de toneladas neste ano.

“O que estamos entendendo do mercado é que, comparado com o ano passado, ele está entre 14% e 16% atrás. Eu acho que isso vai se materializar até o final do ano”, disse.

Altieri explicou que mesmo que os produtores decidam comprar agora, as limitações logísticas dificultam que toda a demanda seja atendida a tempo. Ele ressaltou que o processo de entrega é complexo e enfrenta desafios como congestionamento nos portos, o que se torna um obstáculo para o agricultor.

“Não vamos conseguir [entregar] porque toma tempo. Você traz o barco, chega, descarrega, tem congestionamento nos portos. Vai ser um desafio para o agricultor”, afirmou.

Além do atraso nas compras, o mercado também enfrenta preços elevados dos fertilizantes fosfatados, impulsionados por restrições na oferta global de matérias-primas. Altieri destacou que a produção de fertilizantes fosfatados compete com a indústria de baterias e de transição energética, o que tem gerado uma distorção nos preços.

A Yara adotou medidas para reduzir a dependência de regiões específicas, diversificando a origem das matérias-primas e ampliando a oferta de produtos de maior valor agregado. Enquanto algumas empresas, como a OCP e Mosaic, reduziram a produção de fosfatados, a Yara mantém seu planejamento para 2026.

“A gente manteve o que está planejado para o ano. Não estamos reduzindo a produção, mas não sabemos se a demanda vai vir porque a conta está difícil de fechar. Aí é uma decisão que está do lado do agricultor”, disse.

Altieri também mencionou a dificuldade financeira enfrentada pelos agricultores, que não é exclusiva do Brasil. Os preços internacionais dos grãos não têm acompanhado a alta dos insumos, impactando a rentabilidade da atividade. Ele ressaltou que os desafios principais incluem rentabilidade, fluxo de caixa e acesso ao crédito, com custos de financiamento girando em torno de 24% ao ano.

Por fim, Altieri apontou que a produção nacional de fertilizantes deve continuar em queda, devido à perda de competitividade da indústria química brasileira, especialmente em função dos altos custos de energia, como o gás natural, que no Brasil é significativamente mais caro em comparação a outras regiões.

Redação
ESCRITO POR
Redação

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

10420 artigos publicados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🔔

Quer receber as notícias em primeira mão?

Notificações das principais notícias de Sergipe direto no seu navegador — sem spam.