A endometriose é uma condição que afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, conforme dados do Ministério da Saúde. Apesar disso, muitas brasileiras não estão cientes dos sintomas da doença. Uma pesquisa do Instituto Ipsos revelou que quatro em cada dez mulheres desconhecem os sinais da endometriose, e 77% já relataram que seus sintomas foram minimizados ou desconsiderados por médicos.
Com o intuito de enfrentar esses desafios, o cirurgião ginecológico Igor Chiminacio criou o projeto EndoAir. Esta iniciativa privada utiliza uma aeronave para transportar uma equipe multidisciplinar entre diferentes estados do Brasil, ampliando o acesso ao tratamento especializado para endometriose e promovendo educação médica sobre a doença.
“Em vez de deslocar a paciente, levamos o cirurgião e toda a equipe necessária para realizar um tratamento altamente especializado em endometriose”, explica Chiminacio. “O objetivo é garantir que a paciente receba o mesmo padrão de atendimento, com a mesma equipe, a mesma filosofia de tratamento e as mesmas técnicas cirúrgicas, independentemente da cidade onde será operada”, completa.
A equipe do projeto é composta por três a cinco profissionais, incluindo um cirurgião ginecológico, um cirurgião do aparelho digestivo, um médico auxiliar e uma instrumentadora cirúrgica. Chiminacio destaca que esse modelo assegura padronização técnica, segurança e qualidade nas cirurgias de alta complexidade.
“A cirurgia da endometriose exige uma equipe extremamente integrada. Não é apenas o cirurgião. Anestesistas, instrumentadores e todos os profissionais precisam conhecer profundamente a técnica e trabalhar de forma sincronizada. Por isso, optamos por levar nossa própria equipe”, afirma.
Atualmente, o projeto atua em Pato Branco e Curitiba (PR), São Paulo (SP) e Brasília (DF), com planos de expandir para outras regiões do Brasil, como Rio de Janeiro e Maranhão. Chiminacio afirma que essa expansão permitirá levar atualização científica e conhecimento especializado para diferentes regiões do país.
“Esse será o início de um projeto de expansão dessas atividades para outras capitais das regiões Norte e Nordeste, levando atualização científica e conhecimento especializado a diferentes regiões do país”, diz o cirurgião.
A iniciativa visa reduzir uma das principais dificuldades enfrentadas por mulheres com endometriose: a busca por profissionais capacitados fora dos grandes centros urbanos. Chiminacio ressalta que a qualidade do atendimento é mantida, pois a mesma equipe e os mesmos protocolos são aplicados em todos os locais onde atuam.
“A qualidade é mantida porque levamos a mesma equipe e os mesmos protocolos para todos os locais onde atuamos. Não adaptamos o tratamento conforme a região; levamos o nosso modelo de atendimento”, completa.
Outra missão fundamental do projeto é a educação médica. O diagnóstico de endometriose pode levar até 10 anos para ser confirmado, em grande parte devido à falta de conhecimento especializado. Chiminacio enfatiza: “A endometriose ainda é uma doença que sofre com atraso no diagnóstico e com muitos conceitos que precisam ser atualizados à luz das evidências científicas mais recentes.”
“A educação médica é uma das nossas principais missões. Não queremos apenas tratar pacientes; queremos compartilhar conhecimento, estimular a pesquisa científica e contribuir para a evolução da forma como a doença é compreendida e tratada”, afirma.
Para isso, o projeto realiza cursos, treinamentos para médicos, palestras e ações educativas voltadas à conscientização sobre a endometriose, em parceria com o WHR (Women’s Health Research). Uma das próximas iniciativas ocorrerá no Maranhão, com ações educativas voltadas tanto para profissionais quanto para mulheres da região.
“A informação também salva vidas. Muitas mulheres convivem durante anos com dores incapacitantes sem saber que têm endometriose. Quanto mais conhecimento chega às pessoas e aos profissionais da saúde, maiores são as chances de diagnóstico precoce”, declara.
