Itabaiana · quinta-feira · 08 de outubro de 2026
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A carne bovina brasileira foi isenta da tarifa adicional anunciada pelos Estados Unidos. Essa decisão, já esperada pelo setor exportador, ocorre em um momento de forte dependência do mercado americano das importações, devido à escassez histórica de gado e aos desafios sanitários enfrentados pela pecuária local.

Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que o rebanho bovino americano somava 86,2 milhões de cabeças em 1º de janeiro de 2026, o menor nível desde 1951. O número de vacas de corte caiu para 27,6 milhões de cabeças, enquanto a safra de bezerros foi estimada em 32,9 milhões, o menor volume desde 1941.

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A redução do rebanho é resultado de um ciclo pecuário marcado por anos de seca em importantes regiões produtoras, aumento dos custos de produção e alto descarte de matrizes. Mesmo com a melhora das condições climáticas, a recomposição do plantel leva anos, o que mantém a oferta de carne limitada.

Diante desse cenário, os Estados Unidos ampliaram as importações de carne bovina para atender à demanda da indústria e do consumo doméstico. O Brasil passou a desempenhar um papel estratégico nesse abastecimento, consolidando-se entre os principais fornecedores de carne bovina ao mercado americano.

As projeções mais recentes do USDA indicam que os EUA deverão importar cerca de 6,1 bilhões de libras, ou aproximadamente 2,77 milhões de toneladas de carne bovina em 2026. Este volume representa um crescimento de cerca de 12% em relação a 2025, quando as compras externas ficaram próximas de 5,45 bilhões de libras, ou aproximadamente 2,47 milhões de toneladas.

Fernando Henrique Iglesias, analista de mercado da Safras & Mercado, comentou que a decisão do governo americano segue uma lógica econômica. Segundo ele, os Estados Unidos enfrentam escassez de alguns produtos estratégicos e, por isso, optaram por excluí-los da nova tarifa.

“A carne figurar na lista de exceções é uma estratégia bastante lógica dos Estados Unidos. Assim como café e suco de laranja, são produtos que também devem permanecer nessa lista por um simples motivo: faltam esses produtos no mercado norte-americano hoje”, afirmou.

Iglesias também destacou que a escassez de bovinos já indicava que seria difícil para Washington impor uma tarifa adicional sobre a carne brasileira. “Nós temos uma escassez histórica de gado nos Estados Unidos, com o menor rebanho desde a década de 1970. O entendimento, desde o começo, era de que seria difícil os Estados Unidos impor tarifas sobre a carne bovina justamente por isso”, explicou.

Outros setores do agronegócio podem sentir mais os efeitos da medida, mas a carne bovina atende a uma necessidade do mercado americano. A escolha de não colocar tarifas sobre o produto brasileiro vai de encontro a essa grande necessidade de compra que os Estados Unidos têm hoje.

Durante a consulta pública promovida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), as principais associações da proteína animal brasileira, como a Abiec e a ABPA, optaram por não participar das audiências.

Além da restrição na oferta, a pecuária dos Estados Unidos também enfrenta um desafio sanitário. Um levantamento mostra que o país registra 39 casos confirmados da bicheira do Novo Mundo, sendo 38 casos no Texas e um no Novo México. Até o momento, não há confirmações da doença em animais silvestres ou ferais.

A bicheira do Novo Mundo é causada pela larva da mosca Cochliomyia hominivorax, que deposita ovos em feridas abertas. As larvas se alimentam de tecido vivo de animais de sangue quente, podendo provocar lesões graves e até a morte dos animais.

Embora o número de casos ainda seja relativamente limitado, o avanço da doença aumenta a preocupação das autoridades sanitárias e do setor pecuário, especialmente em um momento em que os Estados Unidos tentam reconstruir seu rebanho. Qualquer fator que comprometa a recuperação da oferta de bovinos tende a prolongar a necessidade de importações.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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