Itabaiana · quarta-feira · 07 de outubro de 2026
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A medida de salvaguarda adotada pela China para proteger sua produção de carne bovina está transformando a dinâmica do setor brasileiro. O preenchimento da cota de exportação já resultou em uma redução do ritmo de trabalho dos frigoríficos, pressionando os preços da arroba do boi gordo e levando preocupações entre exportadores e pecuaristas.

A política de salvaguarda entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, após ser anunciada pelo governo chinês em dezembro de 2025. A justificativa para essa medida é a proteção dos pecuaristas e da indústria local diante do aumento das importações. Essa iniciativa reflete uma tendência global de aumento das barreiras comerciais. Enquanto a União Europeia tem fortalecido suas exigências regulatórias, os Estados Unidos intensificaram a aplicação de tarifas para proteger sua indústria.

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O mecanismo de cota estabelece uma quantidade máxima de carne que pode ser exportada para a China com a tarifa regular de 12%. A partir desse limite, uma sobretaxa de 55% é aplicada, elevando a tributação total para 67%. Para o Brasil, a cota foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. Esse volume é inferior ao fluxo comercial já consolidado, uma vez que, em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,68 milhão de toneladas de carne bovina para a China, o que é cerca de 35% acima do limite definido pela nova regra.

“O que foi falado é que havia necessidade de proteger a indústria local. Eles estabeleceram essas medidas de salvaguarda e aplicaram cotas para todos os países”, afirma Maurício de Palma Nogueira, diretor da Athenagro.

De acordo com Nogueira, como o Brasil é o principal fornecedor da China, recebeu a maior cota, mas a tributação elevada pode dificultar a competitividade brasileira. O pesquisador do FGV Agro, Felippe Serigatti, prevê uma desaceleração significativa das exportações brasileiras para a China no segundo semestre, embora alguns embarques possam ainda ocorrer devido a contratos já firmados.

“Contratos já firmados precisam ser cumpridos e alguns cortes de maior valor agregado podem continuar competitivos, mesmo com a tarifa adicional. Mas esses casos devem ser exceção”, destaca Serigatti.

Além disso, a nova política pode modificar o comportamento do mercado chinês ao longo do ano, com compras mais concentradas no primeiro semestre, quando ainda há espaço dentro da cota. Apesar da criação de novas tarifas, especialistas acreditam que a China não deve diminuir de forma significativa suas compras de carne bovina brasileira, uma vez que ainda depende das importações para atender à demanda crescente.

“Na carne bovina, eles precisam importar bastante. O consumo aumenta ano a ano e eles não conseguem produzir o suficiente”, ressalta Nogueira.

A estratégia da China é vista como parte de um plano mais amplo para reduzir a dependência externa de alimentos considerados estratégicos, buscando garantir segurança alimentar diante de conflitos internacionais.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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