O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se reúne hoje, 14 de julho, às 9h, com representantes de 19 institutos de pesquisa. O objetivo é discutir critérios e parâmetros para a realização e divulgação de levantamentos eleitorais.
O encontro ocorrerá na sede do TSE em Brasília, após a suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel sobre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
A reunião contará com a participação de representantes dos seguintes institutos: Apex Partners, ASN Pesquisas de Opinião Pública, AtlasIntel, Consult Pesquisa, Datafolha, Data Povo, Datasensus, Data Tempo, Direto ao Ponto, Item Pesquisas, Ipsos-Ipec, Quaest, MDA Pesquisa, Ipespe, Nexus, PoderData, Pesquisas Perfil, Paraná Pesquisas e Vox Brasil.
De acordo com integrantes da Corte, a reunião busca construir um consenso sobre as regras aplicáveis às pesquisas, especialmente antes da retomada do julgamento que analisa a decisão de Nunes Marques. Alguns dos pontos que serão discutidos incluem o uso de áudios e vídeos durante as entrevistas, a formulação das perguntas e o nível de transparência exigido sobre a metodologia registrada na Justiça Eleitoral.
A pesquisa que foi suspensa indicava uma queda de Flávio Bolsonaro após a divulgação de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O ministro Nunes Marques justificou a suspensão ao afirmar que havia indícios de possível contaminação das respostas, questionando a apresentação de um áudio relacionado ao caso Vorcaro durante a pesquisa.
No áudio, o senador solicita milhões de reais do banqueiro pela produção do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Aliados de Flávio argumentam que a apresentação desse conteúdo poderia ter afetado a percepção dos eleitores. A AtlasIntel, por sua vez, defende que não houve indução, esclarecendo que o áudio não fazia parte do questionário principal e foi mostrado apenas ao final da entrevista para aqueles que optaram por registrar suas reações.
O julgamento da decisão de Nunes Marques foi interrompido em junho, após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para analisar o caso. A Procuradoria-Geral Eleitoral manifestou-se contra a suspensão da pesquisa, argumentando que a Justiça Eleitoral deve intervir apenas em situações excepcionais.
A expectativa é que a ministra Estela Aranha libere o processo após a reunião de hoje, com a retomada do julgamento pelo plenário prevista para agosto, após o recesso do Judiciário. Integrantes do Ministério Público Eleitoral acreditam que a decisão sobre o caso poderá servir como referência para outros tribunais e influenciar pedidos de suspensão de pesquisas durante a campanha.
