A atriz Gabz, de 27 anos, que interpreta Eduarda na novela “Coração Acelerado”, compartilhou suas referências artísticas que a levaram ao mundo das telenovelas. Em uma entrevista, ela revelou que suas vivências na cultura hip hop foram fundamentais para seu desenvolvimento como artista.
“Por via do hip hop, eu me entendi enquanto artista. Eu amo ler, valorizo o letramento. Mas minha consciência social chegou para mim pela cultura hip hop. E foi inevitável vir de onde eu vim, ser quem eu sou, ter a pele que eu tenho e não ter algum impacto racial em como eu me posiciono artisticamente”, disse Gabz.
A atriz destacou que suas origens e identidade racial influenciam seu olhar artístico, guiando-a em direção a projetos que fazem sentido para sua trajetória. “Isso sempre vai me atravessar, todo personagem que eu fizer, ele vai ser uma pessoa negra, sofrendo os impactos do que é ser uma pessoa negra no Brasil. Isso vai atravessar o personagem, falando sobre isso ou não”, afirmou.
Gabz também explicou que, embora seus trabalhos nem sempre abordem temas de racialidade, sua vivência como mulher negra molda sua atuação. “Não que em todo trabalho essa vá ser a temática, pelo contrário, posso fazer outros conteúdos. Mas a minha racialidade vai passar por mim, minha racialidade não está só no dizer da temática social, mas na vivência do personagem”, completou.
Refletindo sobre sua identidade e a artista que deseja ser, Gabz mencionou sua participação em batalhas de poesia falada, o Slam, como um divisor de águas em sua carreira. Em 2017, ela conquistou o “Slam Grito Filmes”.
“Poesia de Slam foi meu reencontro com a arte. Fui colocando minha cabeça no lugar. O meu Slam organizou muito as minhas ideias, me fez entender enquanto artista, ele é um norte para mim”, compartilhou.
Gabz finalizou destacando que suas referências artísticas são essenciais para a forma como conta suas histórias. “Essas são as referências com as quais eu me identifico, para além de ter uma pressão de representar algo. Quero fazer o que eu acho bonito e o que eu gosto de contar, é como me sinto à vontade de contar”, concluiu.
