A Copa do Mundo de 2026 ainda está em andamento, mas já elevou as receitas da Fifa a um nível sem precedentes. Com o aumento do número de partidas e a venda recorde de ingressos, a entidade planeja arrecadar quase R$ 16 bilhões apenas com bilheteira e serviços de hospitalidade durante este ciclo. No entanto, essa estratégia também gerou críticas entre torcedores e investigações nos Estados Unidos.
Com a participação de 48 seleções, 104 jogos e uma duração de 39 dias, este será o primeiro Mundial masculino realizado em três países, o que abre novas oportunidades comerciais para a Fifa. A maioria das partidas ocorrerá nos Estados Unidos, um mercado conhecido por cobrar preços elevados por ingressos de grandes eventos.
De acordo com uma análise, a Fifa inicialmente projetou uma receita de R$ 15,95 bilhões com a venda de ingressos e pacotes de hospitalidade até 2026. Outros R$ 2,58 bilhões foram orçados devido ao Mundial de Clubes realizado no ano anterior. O torneio de clubes arrecadou R$ 2,11 bilhões, abaixo da meta, mas a expectativa é que a Copa do Mundo compense essa diferença e estabeleça um novo recorde financeiro.
Até o final de dezembro de 2025, seis meses antes do início do Mundial, a Fifa já havia assegurado R$ 10,63 bilhões em receitas com ingressos e hospitalidade. A entidade ainda precisa arrecadar cerca de R$ 5,08 bilhões ao longo de 2026 para atingir a meta orçada.
Os valores finais serão divulgados no próximo ano, mas a arrecadação deve superar a registrada na Copa do Mundo do Catar. Em 2022, a Fifa arrecadou R$ 4,78 bilhões, que era o maior resultado até então. Essa diferença se deve em parte ao aumento no número de partidas e à maior capacidade dos estádios nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
Com quase 6,7 milhões de ingressos disponíveis, a Copa de 2026 ofereceu mais do que o dobro dos cerca de 3,2 milhões disponibilizados em 2022. Outro fator que impulsionou a arrecadação foi a adoção de preços dinâmicos, permitindo que os valores dos ingressos variem conforme a demanda. A Fifa argumenta que essa prática é comum em eventos esportivos e de entretenimento nos países-sede.
“Os torcedores são o coração da Copa do Mundo da Fifa, e nunca antes tantos ingressos foram vendidos diretamente a eles”, afirmou um porta-voz da Fifa.
A Fifa também terceirizou a operação de hospitalidade, escolhendo a On Location, subsidiária do grupo TKO, como parceira oficial. Até março, a empresa acumulava cerca de R$ 4,83 bilhões relacionados à venda de pacotes da Copa, indicando uma forte demanda no mercado americano.
Além disso, a Fifa ampliou seus ganhos no mercado secundário, cobrando uma taxa de 30% sobre cada transação. Nos Estados Unidos, não há limite para os valores cobrados na revenda. No México, a legislação é mais rígida, limitando os ingressos ao preço original. A Fifa defende que seu mercado de revenda oferece um ambiente seguro e transparente para torcedores.
No entanto, a busca por maximizar receitas trouxe consequências, como investigações em Texas, Nova York e Nova Jersey sobre práticas de comercialização de ingressos. Alegações de informações imprecisas sobre a localização dos assentos levaram a uma apuração. Apesar das críticas, a Copa de 2026 deve consolidar o maior ciclo financeiro da história da Fifa, com receitas totais projetadas em aproximadamente R$ 66,95 bilhões entre 2023 e 2026, representando um aumento superior a 70% em relação ao período anterior.
