Itabaiana · segunda-feira · 05 de outubro de 2026
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A China inicia a importação de cafés especiais do Cerrado Mineiro, marcando uma nova etapa para a cafeicultura brasileira. A parceria entre a empresa chinesa Donna Jannie e a Expocacer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado) terá como foco a venda de lotes produzidos por mulheres. Essa é a primeira vez que esses cafés são comercializados com destino ao país asiático.

A primeira remessa, que inclui microlotes especiais e “fine cup” do programa Elas no Café, deixou o Brasil no dia 17 de junho e deve chegar a Xangai em 30 de julho. Essa iniciativa representa a entrada dos cafés em um projeto de longo prazo voltado para o mercado chinês, com a expectativa de embarques mensais, conforme a Expocacer.

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“O objetivo é valorizar o trabalho feminino na cafeicultura brasileira, trazendo o nome da produtora responsável pelo lote em cada embalagem”, afirmou Jian Xueya, a empresária que assina o acordo.

A importadora pretende comercializar os cafés por meio da marca Lady Coffees, focando especialmente em produtos de cooperadas da Expocacer. A primeira exportação inclui lotes de quatro produtoras: Celia Regina Alves Nunes, da Fazenda Claudio; Mariana Velloso Heitor, da Fazenda Gigante Leal; Sarah Mendes Nascimento, da Fazenda São Pedro de Alcântara; e Vera de Oliveira Nunes Figueiredo, da Fazenda Freitas.

De acordo com Sandra Moraes, gerente de Cafés Especiais da Expocacer, as remessas foram selecionadas a partir de um pedido específico da importadora, que buscava “cafés delicados e com diversidade de perfis sensoriais” para atender a diferentes públicos consumidores na China.

“A evolução do consumo de café na China e a valorização de produtos de alta qualidade abrem oportunidades promissoras para ampliarmos a presença do café brasileiro nesse mercado”, disse Sandra Moraes.

Jian Xueya destacou que o objetivo da Donna Jannie é posicionar o café brasileiro especial em um nicho premium, aproveitando a mudança no perfil de consumo chinês, que tem aberto espaço para cafés puros e de maior qualidade, principalmente nas grandes cidades como Xangai.

O mercado chinês, que historicamente priorizava bebidas com leite e preparações adoçadas, agora busca excelência na qualidade dos cafés. Em 2022, durante uma visita à Expocacer, Jian se interessou pelos cafés produzidos por mulheres e decidiu criar uma linha própria para esses produtos, associando cada lote à história de uma produtora.

Atualmente, a cooperativa mantém 140 mulheres no programa Elas no Café, que representa cerca de 20% do total de associados e juntas produzem 534 mil sacas de café em uma área de 13,4 mil hectares. A China, em 2025, importou 1,123 milhão de sacas de café brasileiro, ocupando a 10ª posição entre os principais destinos do produto nacional.

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