Itabaiana · segunda-feira · 05 de outubro de 2026
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Após dois anos de queda nos preços e desilusões com as promessas do chamado “Vale do Lítio”, o setor começa a mostrar sinais de otimismo no norte de Minas Gerais. Durante o Lithium Business, um evento dedicado à cadeia do lítio, o clima foi de que o pior momento do mercado já ficou para trás, mesmo que uma volta aos preços elevados de 2022 não esteja no horizonte imediato.

A análise é que o mercado entrou em uma nova fase. Esta fase é menos explosiva do que a vivida no auge da corrida global por baterias, mas é considerada mais favorável em comparação aos cenários observados em 2024 e 2025. Naqueles anos, uma combinação de excesso de oferta, estoques altos e uma desaceleração da demanda levaram a uma queda nos preços, fazendo com que muitos projetos fossem colocados em espera.

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As mineradoras agora veem a possibilidade de retomar estudos e investimentos, embora a cautela ainda prevaleça. O lítio continua sendo uma commodity nova e volátil, com forte dependência da dinâmica de mercado da China, tanto em termos de demanda quanto de formação de preços.

“Bom, o pessimismo diminuiu”, declarou Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS, uma mineradora com ativos de lítio na Austrália e Brasil.

Marisa destacou que, com o aumento dos preços, a primeira reação no setor foi questionar se essa alta seria sustentável, especialmente após uma queda acentuada. Ela ressaltou que o lítio é um mineral jovem e a volatilidade é uma característica dessa commodity.

Dados da Argus Media mostram que o carbonato de lítio com pureza mínima de 99,5% estava cotado a US$ 21,55 por quilo no mercado CIF China em 7 de julho. O concentrado de lítio, no caso do espodumênio com teor entre 5% e 5,5%, estava em US$ 2.075 por tonelada, também no mercado CIF China. Embora esses valores estejam distantes do pico de 2022, eles representam uma recuperação significativa em relação ao pior momento do setor.

Para as mineradoras, os preços atuais são suficientes para viabilizar projetos mais competitivos, especialmente nas etapas de mineração e concentração do minério. Marisa destacou que, para a fase inicial da cadeia, que vai da exploração mineral até o primeiro processamento, o preço atual é considerado favorável, mas a conversa muda quando se discute refino e conversão química.

A conversão em carbonato ou hidróxido de lítio, essenciais na produção de baterias, ainda está concentrada na China, onde a capacidade instalada é excessiva e a cadeia industrial já está consolidada. Essa realidade desestimula investidores a financiar projetos de refino fora da China, já que a competição é desleal em termos de escala e tecnologia.

Pedro Consoli, responsável pela precificação de lítio na América do Sul na Argus Media, explicou que a recente recuperação dos preços deve-se a fatores como a redução da oferta no mercado e um crescimento inesperado na demanda por sistemas de armazenamento de energia. Ele lembrou que, em 2025, o preço do lítio atingiu níveis históricos baixos devido a um superávit de oferta. No entanto, a situação começou a mudar no segundo semestre do ano passado, quando parte da oferta foi retirada e a demanda por baterias estacionárias cresceu de forma acelerada.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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