A mudança já aparece nos números. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 82% das transações bancárias dos brasileiros são feitas pelos canais digitais, como celular e internet banking. Em 2024, um total de 208 bilhões de movimentações foram realizadas por meio dos diferentes canais de atendimento das instituições financeiras, com 75% delas feitas pelo smartphone.
A pesquisa evidencia que os canais digitais se consolidam como o principal ponto de relacionamento financeiro. Um destaque é o mobile banking, que somou 155 bilhões de transações no período, 20 bilhões a mais do que em 2023, indicando um aumento de 15%.
Nesse cenário, os bancos digitais ampliaram o acesso ao mercado financeiro e ajudaram a reduzir barreiras históricas que limitavam o relacionamento de parte da população com o sistema bancário. Ao eliminar grande parte da burocracia e reduzir custos operacionais, essas instituições conseguiram oferecer soluções que antes dependiam da presença física em agências. Segundo Priscila Salles, Diretora Executiva de Clientes do Inter, esse processo foi decisivo para promover a inclusão financeira no Brasil.
“A digitalização eliminou etapas que antes dificultavam o acesso e tornou o sistema mais inclusivo”, afirma.
Entre os fatores que impulsionaram essa transformação estão:
- Abertura de conta 100% digital
- Eliminação de tarifas de manutenção
- Dispensa de deslocamentos até agências
- Disponibilidade de serviços 24 horas
- Integração de diferentes produtos em um único aplicativo
O processo deixou de centrar na burocracia e passou a priorizar conveniência e personalização. Hoje, atividades que antes exigiam deslocamentos e filas podem ser realizadas rapidamente, como consulta de saldo e extrato, transferências e pagamentos, solicitação de crédito, contratação de seguros, aporte de investimentos e gerenciamento de cartões.
Além da praticidade, a tecnologia permite que os bancos compreendam melhor as necessidades dos usuários e ofereçam soluções mais alinhadas ao perfil de cada cliente. Esse modelo reduz o tempo gasto com tarefas financeiras e amplia a autonomia dos consumidores na gestão do próprio dinheiro.
A digitalização não se resume à criação de aplicativos. O diferencial está na utilização de dados e tecnologia para oferecer experiências mais eficientes. Os bancos digitais utilizam ferramentas de análise de dados para identificar comportamentos, necessidades e preferências dos clientes, permitindo criar jornadas mais intuitivas e personalizadas.
Embora a inovação seja um dos pilares do setor, a segurança continua sendo um dos principais desafios das instituições financeiras digitais. Para garantir a proteção dos clientes, os bancos investem em mecanismos que envolvem monitoramento de transações, criptografia de dados, autenticação em múltiplas etapas, inteligência artificial para prevenção de fraudes e adequação às normas regulatórias.
Esse equilíbrio entre inovação e solidez é considerado essencial para sustentar o crescimento do setor. Ao mesmo tempo em que oferecem experiências mais modernas, os bancos digitais precisam manter padrões rigorosos de segurança e conformidade, preservando a confiança dos clientes.
