Itabaiana · domingo · 04 de outubro de 2026
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O Ministério Público de Roraima (MPRR) solicitou o afastamento cautelar e a suspensão do delegado da Polícia Civil, Alexandre Henrique de Matos Lima, que é responsável pela Delegacia de Polícia Interestadual (Polinter). O pedido é fundamentado em acusações de abuso de autoridade, misoginia, ameaça, extorsão, injúria e intimidação.

O MPRR destacou que um total de 47 procedimentos disciplinares e criminais foram instaurados contra o delegado devido a suas condutas inadequadas, especialmente em relação a mulheres. A representação foi formalizada pela Promotoria de Justiça Militar, ligada ao Controle Externo das Atividades Policiais, no dia 3 de julho.

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“Misoginia institucionalizada e utilização do cargo e do aparato policial como instrumento de intimidação – duas décadas de procedimentos disciplinares e criminais sistematicamente neutralizados pela prescrição e pela decadência, sem jamais resultar em responsabilização efetiva”, descreve o órgão.

Entre as situações relatadas, destaca-se um incidente que ocorreu em julho de 2025, quando Alexandre, utilizando seu carro particular, estacionou em uma vaga reservada para o Grupo de Resposta Tática da Polícia. Ao ser abordado por uma policial feminina, que solicitou que ele retirasse o veículo, o delegado respondeu de forma desrespeitosa, afirmando que mandaria prender a agente. O episódio deixou a policial em estado de choque, levando-a a fazer uma representação contra ele à Corregedoria.

Outro caso ocorreu cerca de onze meses depois, em que o delegado fez xingamentos a duas funcionárias de um condomínio. Ao tentarem relatar o ocorrido ao síndico, Alexandre as ameaçou, afirmando que possuía armas no veículo. O Ministério Público também mencionou um caso de abuso de autoridade em 2015, quando Alexandre ameaçou e torturou uma mulher estrangeira, além de um episódio em 2007, onde ele tentou extorquir um preso, exigindo R$ 10.000 para sua liberação.

Devido à gravidade das condutas, o MPRR requereu diversas medidas, incluindo: a suspensão do porte de arma de fogo, com o recolhimento imediato da arma e da carteira funcional; o bloqueio das senhas de acesso aos sistemas de segurança pública; a proibição de acesso a qualquer unidade da Polícia Civil de Roraima; a proibição de contato com as vítimas; e a obrigatoriedade de comparecimento mensal em juízo para justificar suas atividades.

A Polícia Civil de Roraima informou que não pode divulgar detalhes sobre as representações em andamento, pois estão sob sigilo, e confirmou que o porte funcional de arma de fogo de Alexandre já foi suspenso. A defesa do delegado foi contatada, mas ainda não houve retorno.

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